Advogada 'Rainha do Sul' é denunciada por suposto papel central em facção criminosa na Bahia
A Justiça da Bahia tornou ré a advogada Poliane França Gomes, conhecida como 'Rainha do Sul' ou 'RS Adv', acusada de envolvimento com a organização criminosa Bonde do Maluco. Ela responde por suposta prática de organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, em um caso que abala o estado.
Papel central na estrutura do grupo criminoso
De acordo com a denúncia do Ministério Público da Bahia, por meio do Gaeco, a advogada exercia um papel central na estrutura do grupo, atuando como elo de comunicação entre a liderança presa e os integrantes em liberdade. Ela supostamente usava sua posição profissional para transmitir ordens, ameaças e orientações estratégicas da facção.
As investigações apontam que ela intermediou cobranças financeiras e auxiliou na administração de recursos ilícitos, com destaque para o uso de aplicativos de mensagens como o WhatsApp para coordenar atividades criminosas.
Grupo 'Sesc Senac' no WhatsApp e operação policial
O grupo de WhatsApp chamado 'Sesc Senac' era administrado por Gabriel de Souza Fernandes, conhecido como 'Tonelada', braço direito do líder Leandro da Conceição Santos Fonseca, o 'Shantaram'. A advogada, segundo os autos, repassava comandos de dentro da cadeia por meio de visitas, que eram depois divulgados no grupo.
O juiz Waldir Viana Ribeiro Junior, da Vara dos Feitos Relativos a Delitos de Organização Criminosa de Salvador, destacou que os diálogos no grupo eram minuciosos e abrangiam a dinâmica das atividades ilícitas, incluindo planejamento e prestação de contas.
Poliane França Gomes está presa desde novembro do ano passado, após a Operação Rainha do Sul. As investigações também revelaram tentativas de lavagem de dinheiro, com colocação de recursos ilícitos em joias de alto valor apreendidas com ela.
Negociação de armamentos e defesa da advogada
Nas trocas de mensagens analisadas, o grupo criminoso negociou armamentos para aumentar seu poder bélico, além de ter integrantes responsáveis pela contabilidade e ocultação de dinheiro. A defesa da advogada nega os crimes e apresentará sua versão nos autos em breve, enquanto as defesas de outros acusados ainda não foram localizadas para manifestação.
O caso envolve outros treze denunciados e destaca a complexidade do combate ao crime organizado na Bahia, com alianças como a do Bonde do Maluco com o Primeiro Comando da Capital (PCC).