Um vizinho da professora Elisângela Barbosa de Almeida, de 46 anos, cujo corpo foi encontrado enterrado no quintal de sua casa em Pariquera-Açu, interior de São Paulo, prestou depoimento à Polícia Civil. Ele afirmou ter ouvido o marido da vítima, Jacemir Bueno de Almeida, cavando o solo dias antes do crime. Apesar do barulho, o homem disse não ter suspeitado de que algo grave estava ocorrendo.
Ouvido pela polícia
De acordo com o boletim de ocorrência, o vizinho, que não teve a identidade revelada, contou que ouviu um som de enxada por volta das 3h da manhã de terça-feira (21). O barulho era semelhante ao de alguém escavando a terra. Ele se preparava para ir ao trabalho quando percebeu o ruído, mas não imaginou que se tratava de um crime, especialmente por não ter ouvido nenhuma discussão vindo da casa do casal.
O vizinho destacou que Jacemir agiu normalmente nos dias seguintes, chegando a praticar ciclismo como se nada tivesse acontecido. Por isso, não denunciou a situação à polícia.
Suspeito se passou pela vítima
Após matar Elisângela durante uma discussão, Jacemir ficou com o celular dela e enviou mensagens a amigos e familiares, fingindo ser a vítima. Ele chegou a criar um perfil falso de casal, sugerindo que Elisângela estaria com um suposto amante. Os destinatários desconfiaram da escrita e do conteúdo, que não condiziam com o estilo da professora.
Na quinta-feira (23), a irmã de Elisângela foi informada sobre as mensagens e registrou o desaparecimento. Em uma das conversas, uma mensagem atribuída à vítima dizia que ela estaria "vivendo a vida" com um amante em Paranaguá (PR). A polícia acredita que a morte ocorreu na madrugada de terça-feira (21).
Mensagens suspeitas
Em uma troca de mensagens, o perfil falso escreveu: "Oi, [nome da amiga], não estou em Pariquera. Jacemir e eu separamos. Ele me 'tocou' de casa. Estou em Paranaguá (PR)." A amiga questionou sobre o filho do casal, e a resposta foi: "Está com ele. Só peguei umas roupas, sapatos e saí." A amiga então perguntou o que havia acontecido, e o perfil respondeu: "Eu estava me relacionando com outra pessoa há algum tempo. Com a troca de telefone, restaurou as mensagens e ele viu."
Uma familiar da vítima entrou em contato pelo perfil falso, mas recebeu a resposta de que seria bloqueada. Quando pediu um áudio para confirmar a identidade, não obteve resposta.
Depoimento inconsistente
No dia do registro do desaparecimento, Jacemir foi ouvido na delegacia. Ele disse que a companheira havia saído de casa na quarta-feira (22) possivelmente com um amante, levando seus pertences. Durante o depoimento, mencionou que um cano havia estourado na residência, o que chamou a atenção dos policiais por não ter relação com o caso.
Os agentes foram até a casa e, com o apoio do Corpo de Bombeiros, encontraram o corpo de Elisângela enterrado no quintal. O delegado Eduardo Pinheiro Alves Ferreira solicitou a prisão preventiva de Jacemir por feminicídio majorado e violência doméstica, que foi aceita pela Justiça durante audiência de custódia no sábado (25).
O crime foi considerado majorado porque o filho do casal estava na residência no momento do ocorrido, na parte inferior do sobrado. Informalmente, Jacemir confessou o crime, dizendo que agrediu a mulher com um tapa no rosto durante uma discussão, fazendo com que ela caísse desacordada e começasse a convulsionar. Desesperado, ele decidiu enterrá-la.
No local, os policiais apreenderam o celular da vítima, um computador de mesa, um notebook e dois celulares do suspeito. O caso foi registrado como ocultação de cadáver, violência doméstica e feminicídio na Delegacia de Pariquera-Açu, que segue investigando a motivação.
Homenagens
A Prefeitura de Pariquera-Açu lamentou a morte de Elisângela, que era funcionária pública municipal e atuava na Creche Maraci Hernandes do Amaral. A Diretoria de Ensino de Registro, da Secretaria Estadual de Educação, também publicou uma nota de pesar, destacando a dedicação da professora na EE Prof. Estephano Orlando Paulovski.
"A lembrança de sua dedicação e compromisso com a educação permanecerá viva na memória de todos que tiveram o privilégio de conviver com ela", afirmou a nota. O velório e o enterro ocorreram no domingo (26), no Cemitério Municipal.



