Vídeos revelam campana de policiais antes de execução de colega em Niterói
Vídeos mostram campana policial antes de execução em Niterói

Vídeos obtidos pela polícia revelam monitoramento minucioso antes de execução

A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí conseguiu acesso a vídeos cruciais que mostram a campana realizada por criminosos antes da execução do policial civil Carlos José Queirós, ocorrida em outubro do ano passado. As imagens, obtidas através de quebras de sigilo telemático e telefônico autorizadas pela Justiça, foram gravadas nos celulares dos réus e revelam momentos específicos do monitoramento.

Monitoramento na delegacia e residência da vítima

Um dos vídeos foi filmado em frente à 29ª DP (Madureira), local onde Carlos trabalhava, enquanto outro mostra o policial saindo de uma viatura e entrando em sua casa no bairro de Piratininga, em Niterói, no dia 2 de outubro. Dias depois, em 5 de outubro, o policial seria executado ao colocar o lixo para fora de sua residência na rua Raul Corrêa de Araújo. As imagens capturam o momento em que um veículo branco se aproxima e o carona dispara múltiplas vezes contra a vítima.

Cinco acusados enfrentam a Justiça

Cinco indivíduos presos pela participação no crime terão audiência nesta segunda-feira (6) em Niterói. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, os acusados são:

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  • Fábio de Oliveira Ramos, policial militar do 3º BPM (Méier), acusado de seguir a vítima
  • Felipe Ramos Noronha, policial militar do 15º BPM (Duque de Caxias), também por seguir a vítima
  • Mayck Júnior Pfister Pedro, responsável por seguir diretamente a vítima e filmar a frente da delegacia
  • Dênis da Silva Costa, atuou como "batedor" após o homicídio e ajudou a destruir veículo
  • José Gomes da Rocha Neto (Kiko), apontado como coordenador do grupo criminoso

As investigações indicam que Mayck não apenas seguia a vítima, mas também registrava seus movimentos, incluindo a gravação do momento em que Carlos chegava em casa. Todas as defesas dos acusados negam veementemente as acusações, argumentando falta de provas concretas e apresentando diferentes versões dos fatos.

Clonagem de placa e conexões criminosas

Os mesmos réus também respondem na Justiça do Rio pela utilização de uma placa clonada de um veículo de São José dos Campos, interior de São Paulo. A investigação revelou que os criminosos viram um anúncio no Facebook de um Onix Branco 2015 à venda, adquiriram um veículo do mesmo modelo e clonaram sua placa para realizar a vigilância. A clonagem foi comprovada quando o sistema da Polícia Rodoviária Federal registrou o veículo original circulando em sua cidade de origem simultaneamente.

Operação policial e prisões em flagrante

Quando os criminosos incendiaram o Ônix branco e tentavam fugir em um Jeep Compass, a polícia prendeu em flagrante os PMs Fábio, Felipe e Mayck. No veículo, foram encontradas uma bolsa com placas clonadas e um pedregulho que seria usado para afundá-la. Em um Hyundai HB20 próximo ao local, a polícia apreendeu documentos de Felipe, uma pistola 9mm e vestimentas táticas da PM.

A análise das placas levou à identificação de Dênis da Silva Costa através de digitais, enquanto Kiko foi apontado como chefe do grupo, com investigações indicando que ele recebia informações detalhadas sobre o monitoramento da vítima, realizado por mais de um mês antes do crime. Análises telefônicas mostraram comunicação constante entre Kiko e Fábio durante o período de vigilância.

Investigações continuam por mandante e motivação

A Delegacia de Homicídios segue investigando a morte de Carlos José Queirós Viana para identificar um possível mandante e a motivação exata do crime. As investigações também apontam conexões de Kiko com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho (Adilsinho), preso em fevereiro em Cabo Frio, com registros indicando que ele recebia R$ 9,5 mil mensais como segurança do contraventor em 2021.

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As defesas dos acusados apresentaram diversos argumentos, desde alegações de que as ligações eram de cunho pessoal até argumentos sobre a fragilidade das provas. O caso continua sob intensa investigação, com novas descobertas sendo analisadas pela Justiça.