Um ano da morte de professora de pilates envenenada em Ribeirão Preto: marido e sogra aguardam julgamento
Um ano da morte de professora envenenada em Ribeirão Preto

Um ano da trágica morte de professora de pilates por envenenamento em Ribeirão Preto

Neste domingo (22), completa-se exatamente um ano desde que a professora de pilates Larissa Rodrigues, de 37 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no bairro Jardim Botânico, na zona sul de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A causa da morte foi envenenamento por chumbinho, em um crime que chocou a cidade e segue sob investigação judicial.

Acusados aguardam julgamento enquanto negação persiste

O marido da vítima, Luiz Antônio Garnica, e a mãe dele, Elizabete Arrabaça, são os réus no processo que investiga a morte de Larissa. Ambos estão presos desde maio do ano passado e aguardam julgamento por homicídio qualificado por motivo torpe e feminicídio qualificado, com agravante de ter sido cometido mediante emprego de veneno, meio insidioso ou cruel, e com dissimulação que dificultou a defesa da vítima.

O Ministério Público sustenta que Luiz Garnica foi o mentor intelectual do crime, enquanto Elizabete teria sido a executora. A promotoria acredita que o julgamento pode ocorrer ainda este ano, embora data específica não tenha sido marcada. Ambos os acusados negam veementemente qualquer participação no caso.

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Amizade revela dor e segredos do casamento

Izabele Surian Cera Filippini, professora de ginástica rítmica e amiga próxima de Larissa, compartilha a dor da perda e revela aspectos íntimos do casamento da vítima. Segundo Izabele, Larissa era extremamente dedicada ao marido e ao matrimônio, sempre falando de Garnica com carinho e admiração.

"Ela tinha um respeito enorme por ele, uma admiração muito grande, uma dedicação enorme ao casamento. Isso era muito latente", recorda a amiga.

Contudo, Izabele revela que Larissa também enfrentava momentos de solidão profunda e chegou a confessar sentir-se como "viúva de marido vivo". A professora de pilates desconfiava de possíveis traições, mas optava por não investigar, afirmando que "quem procura acha".

Método cruel e motivação financeira

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o envenenamento foi progressivo, com doses diárias administradas para debilitar gradualmente Larissa até causar sua morte. A estratégia visava criar a impressão de que a vítima havia sofrido complicações decorrentes de intoxicação crônica.

A investigação aponta que o crime teria motivação financeira. No início de março do ano passado, Larissa descobriu que o marido mantinha um relacionamento extraconjugal. Tanto Garnica quanto Elizabete estariam endividados e temiam a partilha de bens em caso de divórcio, especialmente um apartamento financiado pelo casal.

O Ministério Público alega que, em várias ocasiões, Garnica buscava sopa envenenada preparada pela mãe para oferecer à esposa. Além disso, medicou Larissa em pelo menos duas oportunidades com substâncias providenciadas por Elizabete, sem que a vítima soubesse o que estava ingerindo.

Defesa dos acusados apresenta versões distintas

Os advogados de defesa apresentam argumentos divergentes para seus clientes. Bruno Corrêa, representante legal de Elizabete, considera as provas contra sua cliente frágeis e acredita em possível absolvição.

"A defesa é bem convicta que, em um eventual plenário, a Elizabete pode, sim, ser absolvida, porque os indícios que o Ministério Público aponta são muito frágeis", argumenta o advogado.

Já Júlio Mossim, defensor de Garnica, afirma que a inocência do médico está bem delineada nos autos e atribui responsabilidade exclusiva à mãe do acusado.

"Para a defesa do Luiz, a inocência dele está muito bem delineada na prova dos autos. Todo momento que eu converso com ele, ele chora e fala 'eu sou inocente, eu estou preso em virtude de uma responsabilidade exclusiva da minha mãe'", relata o advogado.

Histórico sombrio e investigações paralelas

Além de responder pela morte da nora, Elizabete Arrabaça também é investigada pelo óbito da própria filha, Natália Garnica, e por uma tentativa de homicídio por envenenamento contra uma amiga. Esses casos paralelos ampliam o contexto investigativo e sugerem um padrão de comportamento.

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A investigação policial e o Ministério Público destacam ainda que Garnica teria fingido emoção durante a chegada dos socorristas, limpado o apartamento na tentativa de eliminar provas, apagado conversas de seu celular e pesquisado métodos para driblar a polícia em caso de apreensão do telefone.

Enquanto a justiça prepara o julgamento, familiares e amigos de Larissa Rodrigues aguardam ansiosamente por respostas e justiça para uma morte que completa um ano sem que os responsáveis tenham sido julgados, deixando uma ferida aberta na comunidade de Ribeirão Preto.