STF mantém prisão de banqueiro Daniel Vorcaro por integrar organização criminosa
STF mantém prisão de banqueiro Daniel Vorcaro

STF mantém prisão de banqueiro Daniel Vorcaro por integrar organização criminosa

A maioria dos ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal votou pela manutenção da prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A decisão ocorre no contexto da terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga um grupo criminoso conhecido como "A Turma".

Composição da Segunda Turma e voto do relator

A Segunda Turma é composta por cinco ministros: André Mendonça (relator do caso), Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli. Na quarta-feira (11), Toffoli declarou-se suspeito para participar do julgamento por motivo de foro íntimo. O processo está sendo analisado no plenário virtual, com base na decisão de André Mendonça que autorizou as prisões preventivas de quatro indivíduos: Daniel Vorcaro; Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro; Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado; e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário", que faleceu após tentativa de suicídio na Polícia Federal de Belo Horizonte.

Em seu voto, o ministro André Mendonça destacou a gravidade das evidências já identificadas, afirmando que "não há como aguardar o encerramento de todas as diligências pendentes" devido ao risco de lesões irreparáveis à integridade física de pessoas, à economia popular e ao sistema financeiro nacional. Mendonça citou que ainda há oito celulares de Vorcaro por examinar, mas que o material já analisado justifica as medidas cautelares.

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Atuação criminosa de "A Turma"

Segundo as investigações, "A Turma" era um grupo criminoso dedicado à obtenção ilegal de informações e à intimidação de adversários do banqueiro. Mendonça apresentou exemplos concretos, como a ameaça de morte a um ex-funcionário de Vorcaro, Luís Felipe Woyceichoski, que descreveu a ação como realizada por "sete milicianos". O ministro alertou que a organização pode contar com até seis membros ainda não identificados, representando "uma perigosa ameaça em estado latente".

Além disso, foi mencionado outro núcleo da organização, conhecido como "Os Meninos", responsável por hackeamento e invasões digitais. A partir da apreensão do carro de "Sicário", identificaram-se dois potenciais integrantes desse núcleo.

Risco de fuga financeira e dilapidação patrimonial

O relator também destacou o risco iminente de fuga financeira e dilapidação de patrimônio. Mendonça citou a tentativa de alienação repentina de uma aeronave avaliada em aproximadamente R$ 538 milhões, que estava sendo oferecida por R$ 415 milhões, com um deságio superior a R$ 100 milhões. "Apesar das diversas ordens de bloqueio, o risco atual e iminente de dilapidação patrimonial relacionado aos ativos do agravante restou evidenciado", afirmou.

Votos dos ministros e andamento do julgamento

Os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o voto do relator, mantendo as prisões de Vorcaro, Zettel e Marilson da Silva. Falta ainda a manifestação do ministro Gilmar Mendes para completar a decisão da Turma. O julgamento no plenário virtual permanecerá aberto até sexta-feira (20), quando será encerrado com a posição final de todos os ministros.

A decisão reforça a seriedade das acusações contra Daniel Vorcaro e seu grupo, que enfrentam investigações por crimes que ameaçam a segurança pública e a estabilidade financeira. O caso continua a ser monitorado de perto pelas autoridades, com expectativa de novas diligências e desdobramentos nas próximas semanas.

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