Vítima de envenenamento por açaí em Ribeirão Preto insiste na inocência da namorada
Em um caso que chocou a região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, o jovem Adenilson Ferreira Parente, que sobreviveu milagrosamente após consumir açaí contaminado com chumbinho, mantém sua posição de defender a namorada Larissa de Souza, mesmo diante do indiciamento dela pela Polícia Civil por tentativa de homicídio.
Depoimento emocionado na Central de Polícia Judiciária
Nesta terça-feira (7), Adenilson prestou novo depoimento na Central de Polícia Judiciária, onde reafirmou sua convicção sobre a inocência de Larissa. "Mesma declaração. Não tenho nada a esconder. Não tenho nada a esconder, não. Até porque, quase morro. Eu poderia muito bem falar. Eu quero que isso acabe e pronto", declarou o jovem, visivelmente emocionado pelo ocorrido que quase lhe custou a vida.
O caso remonta a fevereiro, quando Adenilson precisou ser internado em estado grave na UTI após consumir açaí com a namorada em uma loja localizada na Avenida Barão do Bananal, na zona leste de Ribeirão Preto. Análises laboratoriais confirmaram posteriormente a presença de terbufós, substância popularmente conhecida como chumbinho, no copo consumido pelo jovem.
Investigação policial e suspeitas financeiras
A Polícia Civil indiciou Larissa de Souza por tentativa de homicídio, mas o Ministério Público solicitou investigações adicionais antes de prosseguir com a ação penal. A Promotoria de Justiça trabalha com a hipótese de que a motivação do crime estaria relacionada a R$ 20 mil que Adenilson havia obtido com a venda de um veículo.
Entretanto, o próprio Adenilson descarta essa possibilidade: "Não é tão alta não [a quantia]. R$ 20 mil não dá pra nada mais hoje", argumentou o jovem, minimizando o valor que supostamente teria motivado o atentado contra sua vida.
Detalhes do dia do incidente
Em seu relato, Adenilson descreve momentos cruciais do dia do envenenamento. Segundo ele, Larissa teria aberto um copo de açaí para ele consumir, mas ele recusou. "Ela comeu o que ela abriu pra mim e eu cheguei fui pegar o meu e estava lacrado o meu. Peguei meu copo lacrado", detalhou o jovem, sugerindo que o produto estava intacto quando ele o recebeu.
Esta versão contradiz parcialmente as investigações, que apontam para a contaminação do açaí consumido especificamente por Adenilson. A Polícia Civil também ouviu nesta terça-feira um irmão do jovem e a funcionária da loja onde o produto foi adquirido, buscando esclarecer como a substância tóxica foi parar no alimento.
Defesa por escrito e situação processual
A devoção de Adenilson por Larissa é tamanha que ele chegou a escrever uma carta defendendo publicamente a namorada das acusações. Larissa, que atualmente não está presa, aguarda o desfecho das investigações complementares solicitadas pelo Ministério Público.
O caso continua sob intensa apuração, com a polícia examinando todas as possibilidades, incluindo a análise do copo onde foi servido o açaí contaminado e investigações sobre o aparelho celular da suspeita, que teria sido resetado um dia após ela tomar conhecimento da investigação policial.
Apesar das evidências técnicas e do indiciamento formal, Adenilson Ferreira Parente mantém-se firme em sua convicção: acredita na inocência da mulher com quem compartilhou o fatal copo de açaí, em um dos casos mais intrigantes de tentativa de homicídio registrados recentemente na região de Ribeirão Preto.



