Síndico é denunciado por crime de perseguição após desaparecimento de corretora em Caldas Novas
O Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou o síndico Cleber Rosa de Oliveira pelo crime de perseguição, conhecido como stalking, com agravante de abuso de função. A denúncia está relacionada ao caso da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, que desapareceu no dia 17 de dezembro no prédio onde morava, em Caldas Novas, no sul de Goiás. A informação foi confirmada pela família da vítima.
Detalhes da denúncia do Ministério Público
A denúncia, oferecida em 19 de janeiro, atribui ao síndico a prática do crime previsto no artigo 147-A do Código Penal, combinado com o artigo 61, que trata do agravante pelo abuso da função. Segundo o documento assinado pelo promotor de Justiça Cristhiano Menezes da Silva Caires, Cleber teria utilizado sua posição de síndico para criar obstáculos à rotina de Daiane, que administrava apartamentos da família no condomínio.
O MP afirma que o síndico passou a vigiar a corretora por meio do sistema de câmeras do condomínio e a submetê-la a constrangimentos que ameaçaram sua integridade física e psicológica, atingindo sua liberdade e privacidade. A conduta incluía interferência no fornecimento de serviços essenciais dos apartamentos administrados pela vítima, como água, energia, gás e internet, além da adoção de atos reiterados de intimidação.
Entre fevereiro e outubro de 2025, o síndico teria perseguido reiteradamente Daiane, valendo-se de sua condição para impor exigências fora do padrão, como pedidos presenciais com firma reconhecida em cartório. Há registro de agressão física em um dos episódios, conforme trecho da denúncia.
Monitoramento constante e conflitos no condomínio
O Ministério Público detalha que Cleber monitorava toda a movimentação de Daiane e de hóspedes pelas câmeras e enviava imagens à própria irmã da vítima. Para o MP, essas condutas colocaram em risco a integridade física e psicológica de Daiane, ao submetê-la a monitoramento constante, perturbações reiteradas e atos que atingiram diretamente sua liberdade de locomoção e sua esfera de privacidade.
O conflito teria começado após um desentendimento relacionado à locação de um imóvel com número de hóspedes acima do permitido. Com a nova denúncia, já são 12 os processos relacionados a Daiane e Cleber, de acordo com a família.
Pedidos de indenização e investigações em curso
A denúncia também pede que, além da condenação criminal, a Justiça fixe indenização mínima por danos morais no valor de dois salários mínimos. De acordo com o advogado Plínio César Cunha Mendonça, que representa a família, todas as linhas de investigação seguem em curso, sob sigilo, e ainda são aguardados os resultados dos laudos periciais realizados no condomínio e em objetos apreendidos.
A família ressaltou que o MP e o Judiciário sempre estiveram atuantes nos procedimentos anteriores, e após reunir e analisar processos já existentes envolvendo Daiane e a administração do condomínio, o Ministério Público identificou mais um crime, o de perseguição.
Desaparecimento de Daiane Alves
Daiane foi vista pela última vez no prédio onde a família mora, no centro de Caldas Novas, no dia 17 de dezembro. Em entrevista ao g1, a mãe da corretora, Nilse Alves Pontes, contou que, no dia do desaparecimento, a filha foi até o subsolo do prédio para restabelecer a energia, já que o apartamento estava sem luz.
Imagens de câmeras de segurança mostram Daiane no elevador pouco antes de desaparecer, por volta das 19h. Ela entra na cabine enquanto grava um vídeo para uma amiga, sai em seguida e não retorna. O caso continua sob investigação, com as autoridades buscando esclarecer as circunstâncias do desaparecimento e a possível conexão com os fatos denunciados.