Justiça do Rio leva a júri seguranças acusados de matar jovem em supermercado em 2019
Seguranças vão a júri por morte de jovem em supermercado no Rio

Justiça do Rio decide por júri popular para seguranças acusados de morte de jovem em supermercado

Mais de sete anos após o ocorrido, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que dois seguranças sejam submetidos a júri popular, acusados de causar a morte de Pedro Gonzaga, um jovem de 19 anos, em um supermercado na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. O caso, que remonta a 2019, ganhou novos contornos com a decisão judicial, reacendendo debates sobre violência e responsabilidade em estabelecimentos comerciais.

Detalhes do incidente fatal em 2019

O episódio ocorreu quando Pedro Gonzaga foi imobilizado por seguranças do hipermercado Extra após uma suposta tentativa de tomar a arma de um dos vigilantes. Testemunhas e imagens de câmeras de segurança mostram que um dos seguranças, identificado como Davi Amâncio, aplicou uma técnica de mata-leão no jovem, que ficou desacordado durante a ação. Em cenas gravadas, é possível ver Amâncio sobre Gonzaga, mesmo com o rapaz aparentando estar inconsciente, enquanto pessoas ao redor tentavam, sem sucesso, convencê-lo a soltar o jovem.

Um cliente chegou a tocar no segurança, que respondeu de forma agressiva, dizendo: "Não segura, senhor, quem sabe sou eu". Outras testemunhas relataram que o jovem estava "roxo" e uma mulher gritou "está sufocando", indicando a gravidade da situação. O segurança, ainda sobre Gonzaga, ordenou que as pessoas ao redor "cala a boca", demonstrando resistência em interromper a imobilização.

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Resposta das autoridades e da empresa

De acordo com o Corpo de Bombeiros, Pedro Gonzaga sofreu uma parada respiratória no local e foi socorrido às 12h47, sendo levado para um hospital, onde veio a falecer. Em nota divulgada na época, a rede Extra informou que os seguranças envolvidos foram imediatamente afastados e que a empresa repudia veemente qualquer ato de violência em suas lojas. A empresa afirmou ter aberto uma investigação interna, constatando inicialmente que a ação dos seguranças foi uma reação a uma tentativa de furto da arma, e que acionou a polícia e o socorro imediatamente após o indivíduo ser contido.

A rede também destacou que contribuiu com as autoridades para aprofundar as investigações, registrando um boletim de ocorrência. No entanto, a decisão recente da Justiça do Rio de levar o caso a júri popular sugere que as alegações de excesso de força e possível homicídio serão minuciosamente examinadas, com os seguranças enfrentando um processo criminal que pode definir suas responsabilidades no desfecho trágico.

Impacto e reflexões sobre o caso

Este caso levanta questões importantes sobre a atuação de seguranças em estabelecimentos comerciais e os limites da legítima defesa. A morte de Pedro Gonzaga, um jovem de 19 anos, em circunstâncias tão violentas, chocou a comunidade local e gerou comoção nas redes sociais, com vídeos e relatos sendo amplamente compartilhados. A demora de mais de sete anos para a decisão judicial também reflete a complexidade e a lentidão do sistema de justiça brasileiro em casos de violência.

Com o júri popular marcado, espera-se que o processo traga mais clareza sobre os fatos e possa servir como um precedente para futuros incidentes similares, promovendo maior responsabilização e prevenção de tragédias como essa. A família de Pedro Gonzaga e defensores de direitos humanos aguardam ansiosamente por justiça, enquanto a sociedade debate os equilíbrios entre segurança privada e direitos fundamentais.

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