Secretário municipal é executado no Ceará; mandante foragido no Rio é identificado
Secretário executado no CE; mandante foragido no Rio identificado

Secretário municipal é executado a tiros no interior do Ceará; mandante foragido no Rio é identificado

O secretário da Segurança Pública do Ceará, Roberto Sá, confirmou que as autoridades conseguiram identificar e localizar o mandante do assassinato de Ricardo Abreu Barroso, secretário de Administração municipal de São Luís do Curu. No entanto, Sá admitiu que existem fatores que dificultam a prisão do criminoso, pois ele segue foragido no Rio de Janeiro.

"O mentor disso é um criminoso, inescrupuloso, que deveria ficar preso para o resto da vida, pela maneira cruel como eles, de longe, ficam determinando que se executem pessoas", declarou o titular da SSPDS.

Mandante identificado como traficante do Comando Vermelho

O homem apontado foi identificado como Wesley Pereira Balbino, conhecido como "Guaxinim", um dos principais traficantes de São Luís do Curu e apontado como uma liderança do Comando Vermelho. Ricardo Abreu foi assassinado a tiros no último dia 19 de março, em um depósito de construção de sua propriedade.

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O secretário Roberto Sá explicou que o fato de Guaxinim estar no Rio de Janeiro dificulta significativamente a prisão dele. "A gente conhece a realidade do Rio, tem lugares lá que, para efetuar diligências, requer uma operação com muito mais estrutura, com muito mais gente, então nem sempre isso é possível", detalhou.

"Já sabemos algumas circunstâncias da motivação e da execução, tanto que já temos as duas mulheres presas que tinham uma participação, tinham uma tarefa nessa organização criminosa. Tivemos um outro preso em fuga, fora do estado, se não me engano na Bahia", reforçou Sá.

Áudio com ameaças revela motivação do crime

Um áudio atribuído a Guaxinim, confirmado por fonte policial à TV Verdes Mares, revelou o teor das ameaças do criminoso contra a família de Ricardo Abreu Barroso. O chefe da facção teria arquitetado a trama criminosa e recrutado os criminosos para a execução do secretário municipal.

A motivação do crime estaria relacionada ao fato de Guaxinim creditar a influência política do secretário à atuação da Polícia Militar na cidade, em especial do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio).

No áudio, que teria sido enviado em 2025, o criminoso fala explicitamente sobre "apertar quem tem o poder" para expulsar o Raio da cidade, citando o filho de Ricardo, o vereador Júnior Abreu, bem como o depósito de construção da família, onde Ricardo foi morto.

"Tem que dar uma rajada de bala boa. Tem que apertar quem tem o poder na mão, entendeu? Na casa do Júnior Abreu, uma rajada boa de bala! No mesmo tempo da outra rajada do depósito dele... É desse jeito, aqui é o Guaxinim, não é caô não. E se eles desacreditar eu vou mandar é matar", diz o chefe da facção na gravação.

Histórico de ameaças e monitoramento

Conforme depoimento ao qual o g1 teve acesso, o secretário e a família vinham recebendo ameaças, pelo menos, desde a campanha eleitoral de 2024. Na ocasião, o carro de Ricardo chegou a ser alvejado por tiros de arma de fogo, mas ele teria optado por não fazer Boletim de Ocorrência por temer uma nova represália.

Em agosto de 2025, a fachada da casa do vereador Júnior Abreu, filho de Ricardo, foi atacada a tiros. Pouco depois, o político teria recebido o áudio revelado pelo g1. À autoridade policial, o depoente disse que à época foi orientado a registrar um BO, mas temia que, caso se envolvessem em um processo contra Wesley Guaxinim, acabariam mais expostos.

Ainda conforme o depoimento da família, no fim de dezembro de 2025, Guaxinim teria dito que, se o Raio continuasse prendendo os comparsas dele na cidade, ele iria matar Ricardo Abreu. Esta última ameaça levou a família a registrar um Boletim de Ocorrência na primeira semana de janeiro de 2026.

Execução meticulosamente planejada

Na manhã do dia 19 de março, Ricardo Abreu foi ao depósito de construção da família. Ele estava lá quando duas suspeitas, identificadas como Gleiciane Barbosa Diniz, 24 anos, e Laila Aparecida Rodrigues Meneses, de 18 anos, passaram de motocicleta em frente ao depósito, pararam um pouco à frente e mexeram no celular.

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Logo depois, os executores chegaram. A execução foi captada por câmeras de segurança do depósito. Nas imagens, o secretário aparece conversando dentro do estabelecimento, acompanhado de outros dois homens, quando dois suspeitos encapuzados entram no local e efetuam diversos disparos. O secretário morreu no local.

Horas antes de matar o secretário, um grupo, formado por cerca de cinco indivíduos, invadiu um sítio e rendeu os moradores, passando a aguardar as informações sobre o paradeiro da vítima, que foram colhidas por Laila e Gleiciane. Depois de receberem informações sobre a exata localização da vítima, quatro suspeitos pegaram o carro de um dos reféns para ir até o depósito.

Contexto familiar e político

Além de Secretário de Administração do município, Ricardo Abreu era pai do vereador Júnior Abreu, atual presidente da Câmara de São Luís do Curu, e tio do atual prefeito do município, Tiago Abreu. Ele também foi vereador da cidade por dois mandatos, consolidando uma trajetória política significativa na região.

A família acredita que um ponto de virada no comportamento de Wesley foi a morte do irmão dele, o Uesclei "Gringo", durante uma intervenção policial no dia 12 de março, em Fortaleza. Cinco dias após o irmão ser morto, Wesley entrou em contato com as duas mulheres que ficaram responsáveis por monitorar Ricardo e, posteriormente, repassar aos atiradores a localização dele.

Prisões relacionadas ao caso

Na sexta-feira (20), a Polícia Civil prendeu as duas mulheres suspeitas de dar apoio ao assassinato de Ricardo Abreu. Elas teriam sido recrutadas para monitorar o secretário e repassar informações do seu paradeiro aos atiradores.

Já no domingo (22), um suspeito de participar da execução foi preso na Bahia, em um ônibus que ia de Fortaleza para Goiânia (GO). Entre 2024 e 2025, vários criminosos subordinados a Wesley foram presos no município, o que teria motivado as ameaças e, posteriormente, o assassinato.