Justiça decreta prisão de sargento da PM por homicídio em bar da Barra da Tijuca
A Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão do sargento da Polícia Militar Milton Lopes dos Santos, que confessou ter atirado em um homem dentro de um estabelecimento comercial na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste da capital fluminense. O caso, que chocou frequentadores da região, ocorreu durante uma movimentada roda de samba no Mia Lounge, localizado na Avenida Olegário Maciel, número 162.
Detalhes do crime e morte da vítima
A vítima, identificada como Ryan Victor Araújo dos Santos, de 28 anos, foi baleada na região abdominal durante a confusão. Imediatamente socorrida, ela foi encaminhada ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, mas não resistiu aos graves ferimentos e veio a óbito. Testemunhas relatam que a discussão teve início por conta de um acesso a camarote no estabelecimento.
Conforme relatos, Ryan estava acompanhado de uma mulher quando ambos tentaram acessar uma área reservada do bar. Após serem impedidos por seguranças e retirados do local, o jovem teria iniciado uma confusão. Foi nesse momento que o sargento, que presenciava a situação, efetuou o disparo fatal.
Entrega do policial e versão da defesa
O policial militar optou por se entregar às autoridades no final da tarde da última terça-feira (14), mais de 36 horas após a ocorrência do crime. Ele compareceu à Delegacia de Homicídios da Capital, onde prestou depoimento e assumiu a autoria do tiro.
Em sua declaração à polícia, o sargento Milton Lopes dos Santos afirmou que atirou contra Ryan porque este teria avançado contra ele portando uma garrafa de vidro. Segundo sua narrativa, a ação foi realizada em legítima defesa, diante de uma ameaça iminente.
O advogado de defesa do acusado reforçou essa versão dos fatos: "Havia uma confusão no meio da boate e ele, como policial, tentou apartar essa confusão. A pessoa que estava envolvida foi para cima dele. Tentou, inclusive, jogar uma garrafa nele. Ele tentou se defender, tem um machucado na mão dele. E, instintivamente, atirou", explicou o profissional.
Posicionamento do estabelecimento e investigações
O Mia Lounge, por meio de seu representante legal, manifestou total interesse em colaborar com as investigações. O advogado Gabriel Habib, que representa o estabelecimento, declarou que a direção está empenhada em localizar e disponibilizar imagens de câmeras de segurança para auxiliar a polícia.
"O restaurante tem total interesse em colaborar com as investigações para tentar descobrir quem foi o autor dos disparos", afirmou Habib. "O que se sabe até agora, segundo testemunhas, é que autor dos disparos era uma pessoa que estava na rua no momento da confusão", complementou.
O advogado ainda acrescentou detalhes sobre o momento exato do crime: "Quando os seguranças estavam conduzindo a vítima para a rua, o autor dos disparos, que estava na calçada, entrou na varanda do restaurante, próximo à calçada, efetuou o disparo e fugiu". Ele também mencionou que, de acordo com relatos, a vítima já teria se envolvido em desentendimentos anteriores dentro do local.
O caso segue sob apuração das autoridades competentes, que analisam todas as circunstâncias e versões apresentadas para determinar as responsabilidades legais pelo trágico episódio.



