Polícia confirma que sangue em casa de Silvana Aguiar era dela e do pai; PM é indiciado
Sangue em casa de desaparecida era dela e do pai, diz polícia

Polícia confirma que sangue encontrado na casa de Silvana Aguiar era dela e do pai

A Polícia Civil vai indiciar o policial militar Cristiano Domingues Francisco pelo desaparecimento e morte de uma família de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Em entrevista à RBS TV nesta quinta-feira (16), o delegado Anderson Spier afirmou que o inquérito deve ser remetido ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) até sexta-feira.

Além do PM, outras três pessoas serão indiciadas: a atual esposa do policial e o irmão dele, por fraude processual, e um amigo, por suspeita de mentir em depoimento. Cristiano será apontado como responsável pelo desaparecimento, morte e ocultação dos corpos da ex-mulher, Silvana Aguiar, 48 anos, e dos pais dela, Isail Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70.

Materialidade comprovada indiretamente

O delegado Spier destacou que, embora os corpos não tenham sido encontrados, a materialidade do crime pode ser provada de forma indireta. "Eu sei que se criou esse mito de que sem a presença dos corpos não há materialidade, mas, na verdade, a gente já tem um vasto conteúdo que aponta no sentido de que a materialidade pode ser provada de forma indireta", afirmou. "A prova disso, inclusive, é a decretação da prisão preventiva do autor, porque a prisão preventiva imprescinde da materialidade."

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Nesta semana, a perícia confirmou que o sangue encontrado na residência de Silvana pertencia a ela e ao pai dela. A família está desaparecida há mais de dois meses, com Silvana vista pela última vez em 24 de janeiro e seus pais no dia seguinte. O PM, ex-marido de Silvana e principal suspeito desde o início, já está preso preventivamente.

Motivação do crime

A investigação trata o caso como feminicídio e duplo homicídio. A polícia aponta que a motivação seria a disputa pela criação do filho do PM com Silvana, além de questões financeiras ligadas ao patrimônio da família Aguiar.

Linha do tempo do caso

Antes do sumiço:

  • 2 de janeiro: Silvana solicita contato do Conselho Tutelar em grupo de mensagens.
  • 9 de janeiro: Silvana registra no Conselho Tutelar que o ex-marido desrespeitava restrições alimentares do filho.

Fim de semana dos desaparecimentos:

  • 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Postagem falsa em redes sociais sobre acidente em Gramado, que nunca ocorreu, para despistar sumiço. Câmeras registraram movimentação atípica de veículos na casa dela.
  • 25 de janeiro (domingo): Pais de Silvana saem para procurá-la, tentam registrar desaparecimento em delegacia fechada, visitam ex-genro Cristiano e, horas depois, entram em carro não identificado, desaparecendo.

Início das investigações:

  • 27 e 28 de janeiro: Ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente.
  • 28 de janeiro: Cristiano pede guarda do filho no Conselho Tutelar.
  • 1º de fevereiro: Cristiano envia foto de dentro da casa dos sogros mostrando veículo do casal.
  • 3 de fevereiro: Polícia ouve seis pessoas, incluindo Cristiano e atual companheira; projétil de festim é encontrado na casa dos idosos.
  • 4 de fevereiro: Polícia confirma caso como crime, descartando sequestro.

Perícias e prisão:

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  • 5 de fevereiro: Perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue.
  • 7 de fevereiro: Celular de Silvana é localizado após denúncia anônima.
  • 10 de fevereiro: Cristiano é preso temporariamente; áudios indicam tentativa de interferir na investigação.
  • 13 de fevereiro: Suspeito e companheira se recusam a fornecer senhas de aparelhos.
  • 20 de fevereiro: Cristiano presta depoimento, ficando em silêncio; polícia confirma carro não identificado entrou duas vezes na casa de Silvana.
  • 24 de fevereiro: Perícia do celular mostra que aparelho nunca esteve em Gramado.
  • 25 de fevereiro: Silvana é considerada 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026.
  • 9 de março: Prisão de Cristiano é prorrogada por 30 dias.
  • 13 de março: Bombeiros realizam buscas com cães farejadores em áreas rurais.
  • 9 de abril: Justiça decreta prisão preventiva de Cristiano.

O caso continua sob investigação, com a polícia buscando os corpos e reunindo provas para o processo judicial.