Quadrilha desmontada em Aguaí usava refinaria clandestina para açúcar furtado de trens
Refinaria clandestina em Aguaí processava açúcar furtado de trens

Quadrilha desmontada em Aguaí usava refinaria clandestina para açúcar furtado de trens

A Polícia Civil de São Paulo desmantelou uma refinaria clandestina em Aguaí, interior do estado, que processava açúcar furtado de trens por uma quadrilha especializada em roubar cargas de commodities. A operação, batizada de Ouro Branco, resultou na apreensão de 15 toneladas de açúcar e na prisão de quatro suspeitos, desvendando um esquema milionário que causou prejuízos estimados em R$ 13 milhões.

Como funcionava o esquema criminoso

Os criminosos atuavam de forma audaciosa, "surfando" em trens em movimento para furtar cargas de açúcar e soja destinadas ao Porto de Santos. O modus operandi envolvia etapas bem definidas:

  • Furto nos trilhos: Indivíduos caminhavam sobre os vagões, enchiam sacos com a carga e os jogavam ao lado da ferrovia.
  • Recolhimento e transporte: Outro grupo recolhia os produtos e os levava para esconderijos em áreas de mata, sítios e residências.
  • Refinamento clandestino: O açúcar era levado para galpões em Aguaí, onde passava por um processo improvisado de refinamento e era embalado com notas fiscais falsificadas.

O produto furtado era originalmente destinado à composição de manta asfáltica, mas a quadrilha o refinava para comercialização. A polícia ainda investiga se o açúcar era vendido como próprio para consumo, o que representaria um grave risco à saúde pública.

Detalhes da operação e apreensões

Deflagrada na terça-feira (17) pela Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar) do Departamento de Investigações Criminais (Deic), a operação mobilizou 29 policiais e cumpriu 11 mandados de busca e apreensão. Além das 15 toneladas de açúcar, foram apreendidos:

  1. Três carros
  2. Uma moto
  3. Um caminhão
  4. Equipamentos de refinamento
  5. Celulares

Três pessoas foram presas temporariamente e uma quarta foi autuada em flagrante por posse de armas. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados, mas a investigação segue ativa para desvendar toda a logística da quadrilha e identificar como o material refinado era inserido no mercado.

Impacto econômico e logístico

Os furtos, que aumentaram de forma expressiva desde 2023, causaram danos significativos aos vagões e paralisaram as linhas férreas por horas, prejudicando a logística de outros trens. O prejuízo de R$ 13 milhões reflete não apenas o valor das cargas roubadas, mas também os custos com reparos e interrupções no transporte.

A atuação do grupo focava na rota de escoamento do interior paulista até o Porto de Santos, evidenciando uma sofisticação criminosa que exigiu uma resposta coordenada das autoridades. A operação Ouro Branco marca um passo importante no combate a esse tipo de crime, mas a polícia alerta que as investigações continuam para garantir que todos os envolvidos sejam responsabilizados.