Operação Fantoccio: Polícia prende quadrilha que dopava idosos para golpes financeiros no RS
Quadrilha dopava idosos para golpes financeiros no RS

Operação Fantoccio desmantela quadrilha especializada em golpes contra idosos no Rio Grande do Sul

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul realizou nesta quarta-feira (8) uma operação de grande impacto contra uma organização criminosa que atuava dopando idosos para aplicar golpes financeiros sofisticados. Batizada de Operação Fantoccio – termo italiano que significa "marionete" –, a ação resultou na prisão de cinco indivíduos e no cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão na capital Porto Alegre.

Esquema cruel revelado através de mensagens apreendidas

As investigações, que se intensificaram nos últimos meses, ganharam contornos alarmantes com a análise das conversas nos celulares apreendidos. As mensagens trocadas entre os suspeitos revelam um modus operandi especialmente violento e calculista. Os criminosos discutiam abertamente sobre dosagens de substâncias ainda não identificadas pela perícia, que eram misturadas em café ou água oferecidos às vítimas.

Em um dos diálogos mais chocantes, um suspeito escreve com tom de deboche: "não vai pôr a criança para dormir", referindo-se ao efeito sedativo da substância aplicada. Em seguida, outro integrante do grupo sugere: "dá um pau nele", demonstrando o grau de agressividade da quadrilha. Outra mensagem orienta claramente: "Dá um café com uma dose boa", enquanto um golpista comenta sobre o estado de uma vítima: "Ele tá muito grogue já".

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Mecanismo do golpe financeiro detalhado pelas autoridades

Segundo a delegada Ana Luiza Caruso, responsável pela investigação, o esquema iniciava com abordagens via WhatsApp direcionadas a aposentados e pensionistas que já possuíam empréstimos ativos. Os criminosos se apresentavam como correspondentes das instituições financeiras originais, oferecendo redução de parcelas ou recalculo de juros de forma fraudulentamente vantajosa.

As vítimas eram então convidadas a comparecer na sede de uma falsa consultoria financeira. No local, eram submetidas a procedimentos de reconhecimento facial e fotografias múltiplas, sob o pretexto de serem exigências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Sem o conhecimento pleno devido ao estado alterado pela substância, os idosos assinavam documentos que abriam novas contas bancárias e contratavam empréstimos adicionais.

Os valores obtidos eram imediatamente transferidos para contas de terceiros, deixando as vítimas com dívidas imprevistas e sem os recursos prometidos. A polícia estima que o número total de afetados possa chegar a 400 pessoas, embora apenas 19 tenham registrado boletim de ocorrência até o momento.

Relato emocionante de uma vítima de 76 anos

Uma pensionista de 76 anos, que preferiu manter sua identidade preservada, compartilhou sua experiência traumática. Ela relata que, após cair no golpe, ficou completamente sem recursos financeiros: "Ontem, eu fui pagar minhas contas e faltou dinheiro. Eu precisava de R$ 10 porque eu vou ao dentista ali na UFRGS e ali a consulta é R$ 10".

A idosa descreve a humilhação vivida: "A minha filha chegou em casa e eu estava chorando. Eu disse para ela que eu precisava de R$ 10 e não tinha. Ela tem um cofrezinho, foi lá e conseguiu os R$ 10 e eu fui com a maior vergonha para o atendimento, cheia de moedas. Que vergonha".

Ela afirma que recusou as bebidas oferecidas – café e água – mas mesmo assim teve seu rosto fotografado repetidamente sob a justificativa de reconhecimento facial. Os criminosos realizaram descontos mensais de R$ 506 em sua conta e transferiram os recursos para outra instituição bancária.

Recomendações das autoridades para prevenção

Diante da sofisticação do golpe, a Polícia Civil emitiu orientações importantes para a população, especialmente para idosos e seus familiares:

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  1. Desconfiar sistematicamente de ofertas de empréstimo recebidas por WhatsApp ou outras redes sociais.
  2. Nunca realizar procedimentos de reconhecimento facial ou assinar documentos fora das agências bancárias oficiais.
  3. Sempre confirmar qualquer proposta financeira diretamente com a instituição original através de canais oficiais.

A delegada Ana Luiza Caruso destacou ainda que algumas vítimas relataram ter sido ameaçadas com armas de fogo durante o processo de aplicação do golpe, acrescentando mais uma camada de violência ao esquema criminoso.

Denúncias sobre casos semelhantes podem ser feitas através do telefone 197 ou diretamente na sede da Delegacia do Idoso, localizada em Porto Alegre. A operação continua em andamento, com a possibilidade de novas prisões e identificação de mais vítimas desse esquema que explorava cruelmente a vulnerabilidade de pessoas idosas.