Escola estadual no Rio registra denúncia de assédio sexual contra professor
A direção do Colégio Estadual Senor Abravanel, localizado no Largo do Machado, na Zona Sul do Rio de Janeiro, registrou nesta quarta-feira (25) uma ocorrência na Polícia Civil do estado contra um professor por suspeita de assédio sexual. Os casos teriam ocorrido no ano passado, envolvendo duas alunas, mas só foram formalmente denunciados após um incidente violento durante protesto estudantil.
Protesto termina em violência policial
Nesta manhã, estudantes organizaram um ato dentro da escola para pedir o afastamento do docente acusado. Durante o protesto, um policial militar do Batalhão de Choque, que estava de serviço no programa Segurança Presente Laranjeiras, agrediu fisicamente participantes do movimento. As imagens que viralizaram mostram o subtenente desferindo tapas e socos contra estudantes, incluindo Marissol Lopes, presidente da Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro, que teve sua blusa rasgada durante a agressão.
Três representantes estudantis foram detidos: João Herbella, diretor do Diretório Central dos Estudantes da UFRJ; Marissol Lopes; e Theo Oliveira, diretor da Ames Rio. Os estudantes registraram ocorrência por abuso de autoridade, enquanto os policiais fizeram registro por desobediência, desacato e invasão.
Investigações em andamento
A Secretaria Estadual de Educação afirmou que não tinha conhecimento prévio do caso de assédio, mas determinou o afastamento do professor e a abertura de sindicância interna. A direção da escola informou que, na semana passada, um docente denunciou o colega por suposto assédio sexual contra uma aluna, e a instituição prevê ouvir a estudante e seus responsáveis ao longo desta semana.
Já a Polícia Militar emitiu nota informando que o militar agressor foi identificado, afastado preventivamente do serviço nas ruas e será encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar. A Corregedoria-Geral da corporação instaurou procedimento para apurar a conduta do agente.
Entenda a cronologia dos eventos
- Casos de assédio sexual teriam ocorrido no ano passado na escola estadual
- Movimentos estudantis foram convocados pelo grêmio da escola para protesto
- Durante o ato, policial militar agrediu fisicamente estudantes
- Três representantes estudantis foram detidos
- Direção da escola registrou ocorrência contra professor por assédio
- Professor foi afastado e investigações foram abertas
- PM afastou militar agressor e abriu procedimento interno
Posicionamento das autoridades
A Secretaria Estadual de Educação lamentou o ocorrido e afirmou que não compactua com qualquer forma de violência no ambiente escolar. A pasta destacou que prestará todo apoio aos estudantes envolvidos e seus familiares, reafirmando compromisso com um ambiente escolar seguro e respeitoso.
A Polícia Militar reiterou seu compromisso institucional de atuar em defesa da sociedade e de apurar com transparência a conduta de seus policiais em serviço. O Segurança Presente, programa ao qual o militar agressor estava vinculado, não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
O caso evidencia a complexidade de situações que envolvem violência institucional, direitos estudantis e a necessidade de protocolos claros para intervenção policial em ambientes educacionais.



