Justiça mantém prisão de síndico acusado de matar corretora em Caldas Novas
Prisão de síndico acusado de homicídio é mantida pela Justiça

Justiça mantém prisão preventiva de síndico acusado de homicídio em Caldas Novas

A 1ª Vara Criminal da comarca de Caldas Novas decidiu manter a prisão preventiva do síndico Cléber Rosa de Oliveira, acusado de assassinar a corretora de imóveis Daiane Alves Sousa, de 43 anos. A decisão foi tomada durante a revisão obrigatória da prisão, conforme determina a legislação processual penal brasileira.

Fundamentação da decisão judicial

Em sua decisão, a magistrada destacou que não houve fatos novos que justificassem a soltura do acusado e que permanecem presentes fortes indícios de autoria e materialidade do crime. A Justiça também considerou o risco de Cléber interferir nas investigações caso respondesse ao processo em liberdade.

O síndico está preso desde 28 de janeiro de 2026 e responde pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A defesa do acusado não se manifestou até o fechamento desta reportagem, conforme tentativas de contato realizadas pela equipe jornalística.

Detalhes do crime planejado

Segundo os autos do processo, o crime teria sido metodicamente planejado pelo síndico. A decisão judicial menciona que Cléber teria desligado intencionalmente a energia elétrica do apartamento da vítima para atraí-la ao subsolo do prédio onde ambos residiam.

No local, o acusado teria aguardado Daiane encapuzado e executado a vítima com dois disparos na cabeça. A magistrada reforçou em sua decisão que a conduta demonstra violência extrema e planejamento prévio, fatores que justificam a manutenção da prisão preventiva.

Riscos de interferência nas investigações

A Justiça identificou diversos elementos que indicariam tentativas de interferência nas investigações:

  • O acusado teria enviado áudios a funcionários do condomínio orientando como deveriam falar sobre o caso
  • O sistema de videomonitoramento do prédio apresentou lacunas significativas
  • Como síndico, Cléber tinha controle total sobre o sistema de câmeras e contato direto com o técnico responsável pela extração das imagens
  • Foram encontradas malas com roupas durante o cumprimento da prisão temporária, indicando possível intenção de fuga

Relembrando o caso

A corretora Daiane Alves Sousa desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025, após descer ao subsolo do prédio para verificar uma queda de energia. Seu corpo permaneceu oculto por mais de 40 dias, período em que familiares e autoridades realizaram intensas buscas.

O síndico confessou o crime e levou os investigadores até o local onde havia deixado o corpo da vítima, em uma área de mata a aproximadamente 15 quilômetros de Caldas Novas. Durante as investigações, a Polícia Civil recuperou um vídeo gravado pela própria vítima no momento do ataque.

As imagens estavam no celular de Daiane, que foi encontrado dentro de uma tubulação de esgoto do prédio, onde permaneceu por 41 dias. O vídeo mostra quando a corretora chega ao subsolo do condomínio e é surpreendida pelo síndico, que aparece usando luvas e aguardando a vítima - elementos que reforçam a tese de premeditação.

A decisão judicial enfatiza que o corpo ficou oculto por período prolongado enquanto familiares e autoridades realizavam buscas, agravando ainda mais as consequências emocionais do crime. A magistrada concluiu que todos esses fatores, combinados, justificam plenamente a manutenção da prisão preventiva do acusado enquanto o processo segue seu curso legal.