Justiça tardia: após 37 anos, autor de feminicídio brutal é preso no Paraguai
O longo braço da justiça finalmente alcançou Marcos Panissa, condenado pelo brutal assassinato de sua esposa, Fernanda Estruziani, ocorrido há trinta e sete anos. O criminoso, que vivia há décadas no Paraguai com documentos falsos, foi preso pela Polícia Nacional daquele país e entregue à Polícia Federal brasileira nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026.
Crime que chocou o Brasil nos anos 80
O feminicídio de Fernanda Estruziani, cometido em 1989, permanece como um dos casos mais marcantes da criminalidade brasileira. Na época, o casal residia em um apartamento no centro de Londrina, no norte do Paraná. Panissa, então com 23 anos, desferiu nada menos que setenta e duas facadas em sua esposa de 21 anos, movido por ciúmes doentios.
Inicialmente, a imprensa local noticiou que a vítima havia recebido cinquenta e cinco facadas, mas a perícia posterior revelou um número ainda mais chocante. O crime ganhou tamanha repercussão que foi tema de um episódio do programa televisivo Linha Direta, tornando-se parte do imaginário coletivo sobre violência doméstica no país.
Fuga internacional e vida dupla
Após ser condenado em primeiro julgamento a vinte anos de prisão – pena posteriormente reduzida em recursos –, Panissa respondeu ao processo em liberdade e fugiu do Brasil. Segundo as autoridades paraguaias, ele ingressou no país vizinho pouco depois da condenação inicial, iniciando uma vida completamente nova sob a identidade falsa de Carlos Viana.
Com documentos falsos datados de trinta anos atrás, o criminoso estabeleceu um pequeno comércio, casou-se e teve filhos, construindo uma rotina comum que não despertava suspeitas. Sua família paraguaia desconhecia completamente seu passado criminoso e sua verdadeira identidade.
Operação internacional e captura
Por ter fugido após condenação criminal no Brasil, o nome de Panissa foi incluído na lista de procurados da Interpol, circulando entre as autoridades internacionais por décadas. A queda ocorreu durante a Operação Otelo, conduzida pela Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad).
Abordado na cidade de San Lorenzo – localidade muito próxima da fronteira com a Argentina –, o criminoso acabou revelando sua verdadeira identidade às autoridades. A prisão ocorreu justamente quando o crime estava prestes a prescrever, com prazo final estabelecido para 2028.
Retorno ao Brasil e cumprimento de pena
Após a captura, Panissa foi imediatamente entregue à Polícia Federal brasileira e agora enfrentará os trâmites legais necessários para cumprir, finalmente, a pena pelo homicídio de sua esposa. As imagens de sua prisão e transferência foram amplamente divulgadas pela imprensa paraguaia, marcando o desfecho de uma busca que durou mais de três décadas.
Este caso ressalta a importância da cooperação internacional no combate à impunidade e serve como alerta sobre as consequências duradouras da violência doméstica. A justiça, ainda que tardia, demonstra que crimes graves não são esquecidos com o passar do tempo.



