Presídio de MS com quase mil detentos trabalhando se torna referência nacional em ressocialização
Presídio de MS com quase mil detentos trabalhando vira referência

Presídio de Mato Grosso do Sul se destaca nacionalmente com quase mil detentos em atividades laborais

O sistema prisional de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, está ganhando notoriedade em todo o Brasil por um motivo bastante positivo: o elevado número de detentos que estão trabalhando. No Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, unidade que opera em regime semiaberto, aproximadamente 990 internos realizam alguma atividade laboral todos os dias. Este é o maior registro do país, conforme dados divulgados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Modelo focado na reintegração social e no cumprimento efetivo da pena

Desse total impressionante, 783 detentos recebem um salário mínimo, valor pago por empresas e instituições parceiras. A lista de colaboradores inclui construtoras, supermercados, uma universidade pública, um hospital público, além de órgãos como o próprio Judiciário, o Governo do Estado e o Conselho da Comunidade. A proposta central do modelo adotado na capital sul-mato-grossense é assegurar que a pena seja cumprida de maneira efetiva, mas com um foco prioritário na reintegração social.

Segundo o juiz corregedor do presídio, Albino Coimbra Neto, o cumprimento da pena segue rigorosamente as regras estabelecidas em lei. Ele enfatiza que não há qualquer tipo de flexibilização indevida. “Não existe ‘faz de conta’. O preso cumpre a pena no regime semiaberto, com saídas temporárias apenas quando a lei permite”, afirma o magistrado, destacando a seriedade do processo.

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Impacto social direto e benefícios legais significativos

Além de ser um pilar fundamental para a ressocialização, o trabalho realizado pelos internos gera um impacto social direto fora dos muros do presídio. Um exemplo marcante é a padaria industrial instalada dentro da unidade. Com recursos provenientes do próprio trabalho dos detentos, o local já produziu mais de 1,5 milhão de pães, todos doados a entidades assistenciais. A distribuição conta com o apoio do Sesc, por meio do programa Mesa Brasil.

O trabalho também garante benefícios legais concretos aos internos. Dados de 2025 da 2ª Vara de Execução Penal revelam que foram somados mais de 155 mil dias trabalhados, o que resultou em aproximadamente 52 mil dias de redução de pena — um mecanismo conhecido como remição. Na prática, isso significa que, ao trabalhar, o detento pode diminuir o tempo que permanecerá preso. Adicionalmente, o modelo gera economia para o Estado, pois contribui para uma progressão mais rápida de regime.

Diversidade de atividades e rigorosa fiscalização

As atividades desenvolvidas são bastante variadas. Dentro da unidade, os internos trabalham em setores como:

  • Padaria
  • Horta
  • Marcenaria e serralheria
  • Costura
  • Manutenção geral
  • Barbearia
  • Mecânica

Fora do presídio, por meio de convênios estabelecidos, eles atuam em áreas como:

  1. Construção civil
  2. Serviços gerais e alimentação
  3. Organização de estoques
  4. Manutenção de parques
  5. Cuidado com animais silvestres
  6. Processamento de alimentos

Um dos projetos em destaque é a parceria com o Sesc para a revitalização do Horto Florestal de Campo Grande, ampliando significativamente o alcance social do trabalho realizado.

Todo o processo é acompanhado de perto pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), com fiscalização constante do Judiciário e do Conselho da Comunidade. Para participar das atividades, o interno precisa cumprir critérios rigorosos, como estar há pelo menos 30 dias no regime semiaberto, não ter cometido faltas disciplinares e ter condições físicas e psicológicas para trabalhar. Este modelo de Mato Grosso do Sul se consolida como uma referência nacional na busca por um sistema prisional mais humano e eficaz.

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