Policial Civil do Denarc é apontado como líder de esquema de tráfico de drogas no ES
Policial Civil do Denarc lidera tráfico de drogas no ES

Policial Civil do Denarc é acusado de liderar esquema de tráfico de drogas no Espírito Santo

O policial civil Eduardo Tadeu, apontado como um dos principais envolvidos em um esquema de tráfico de drogas no Espírito Santo, já havia sido afastado do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) do estado em 2017 por suspeitas de irregularidades. Documentos obtidos com exclusividade pela TV Gazeta revelam que, mesmo após denúncias e investigações, ele retornou à unidade de combate ao tráfico e continuou cometendo crimes, conforme aponta o Ministério Público do Espírito Santo (MPES).

Esquema criminoso desvendado em reportagem do Fantástico

O caso veio à tona em reportagem do Fantástico exibida no domingo (29), com áudios, vídeos e depoimentos exclusivos da investigação da Polícia Federal e do MPES. Eduardo Tadeu é chamado de "maior traficante do estado". As apurações concluíram que policiais civis do Denarc teriam se aliado a criminosos para desviar entorpecentes apreendidos em operações e realizar a revenda no mercado ilegal por meio de traficantes ligados ao grupo.

Para isso, segundo a investigação, os policiais não registravam, em boletins de ocorrência, parte das drogas apreendidas. O caso segue sob investigação do Ministério Público. Além de Eduardo Tadeu, o policial civil Erildo Rosa também está preso, enquanto outros três estão afastados. Além disso, 15 policiais militares foram investigados e denunciados por envolvimento com o tráfico de drogas.

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Esquema antigo com suspeitas há nove anos

Os novos documentos indicam que o esquema pode ser antigo. Há pelo menos nove anos já existiam suspeitas sobre a atuação de Eduardo Tadeu, conhecido como Dudu. Um delegado ouvido pela força-tarefa de combate ao crime organizado da Polícia Federal afirmou que pediu o afastamento de Eduardo da Denarc para o então chefe de Polícia Civil da época, o delegado-geral Guilherme Daré. Eduardo, então, chegou a ser transferido por causa das suspeitas.

Mesmo fora da unidade, o policial teria interferido em outras investigações. Em um dos casos, uma operação que monitorava a circulação de fuzis do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção de São Paulo, foi comprometida após uma ação antecipada atribuída a Eduardo Tadeu. Apesar das denúncias, ele voltou a atuar no Denarc, e a investigação tenta esclarecer como esse retorno foi autorizado.

Relação direta com o tráfico e esquema milionário

A denúncia também aponta relação direta entre o policial e o tráfico. Mensagens de 4 de março de 2024 mostram uma conversa entre Eduardo Tadeu e Yago, apontado como liderança do PCC. Eles tratam de um acerto de contas e, em um dos trechos, o traficante chama o policial de “chefe”. Segundo as apurações, o grupo de policiais envolvidos apreendia drogas de traficantes rivais e repassava parte desse material a outros criminosos, que revendiam os entorpecentes.

Os lucros seriam divididos entre policiais e traficantes. Em outro depoimento, o traficante Richards detalha o tamanho do esquema. Segundo ele, a droga desviada e revendida pelos policiais ultrapassa R$ 1 milhão.

Operação Turquia II e prisões recentes

A segunda fase da Operação Turquia II, da Polícia Federal, foi deflagrada no último dia 18. A operação aconteceu no Espírito Santo e em outros 14 estados com 112 mandados de prisão previstos. Eduardo Tadeu foi o segundo policial do Denarc preso em menos de 4 meses por relação com traficantes. Na primeira fase da operação, em novembro de 2025, um policial civil foi preso e outros dois foram afastados das funções, inclusive o policial detido.

As investigações começaram após a prisão em flagrante de um dos principais chefes do tráfico de drogas da região da Ilha do Príncipe, na capital, em fevereiro de 2024. Com o avanço das apurações, foram identificados indícios de ligação entre o investigado e servidores públicos, apontando possível cooperação ilícita durante ações policiais.

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Declarações da Polícia Civil e defesa dos acusados

O atual delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, José Darci Arruda, afirmou que a instituição não vai hesitar em punir desvios internos, se referindo às denúncias de envolvimento de policiais civis com o tráfico de drogas. Ele usou a metáfora de "laranjas podres" para classificar os investigados e ressaltar que a conduta deles é uma exceção dentro da força policial.

A Polícia Civil informou que, por meio da Corregedoria Geral da Polícia Civil (CGPC), participou das ações deflagradas, prestando apoio à Polícia Federal e ao Ministério Público do Espírito Santo. Eduardo Tadeu já se encontrava afastado desde a primeira fase da operação e foi encaminhado ao presídio de policiais civis (Alfa 10).

A defesa de Eduardo Tadeu informou que tomou conhecimento das medidas cautelares recentemente determinadas e que a apuração ainda se encontra em andamento. O advogado de Erildo Rosa afirmou que aguarda acesso completo aos dados da investigação e disse que não há elementos concretos que comprovem participação do cliente em organização criminosa.