Polícia investiga 6 mil veículos em caso de família desaparecida no RS
Polícia checa 6 mil carros em desaparecimento no RS

Polícia Civil inicia força-tarefa para fiscalizar 6 mil veículos em caso de desaparecimento

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul está mobilizando uma operação de grande escala para tentar localizar um veículo crucial no desaparecimento da família Aguiar, ocorrido há mais de um mês na cidade de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. As investigações concentram-se agora em fiscalizar aproximadamente seis mil automóveis emplacados no estado que possuem as mesmas características do carro visto nas imagens de segurança.

Detalhes da operação de fiscalização veicular

De acordo com o delegado Anderson Spier, responsável pelo caso, consultas ao banco de dados do Departamento de Trânsito (Detran) identificaram que existem seis mil veículos do modelo Volkswagen Fox na cor vermelha registrados no Rio Grande do Sul. Todos esses automóveis serão submetidos a verificação individual para determinar se correspondem ao visto nas filmagens da noite do desaparecimento.

"Foram identificados 6 mil Fox vermelhos emplacados no RS. Estamos realizando essa checagem minuciosa, veículo por veículo, para confirmar se preenchem as características específicas do carro que aparece nas imagens", explicou o delegado Spier em entrevista.

Importância do veículo nas investigações

As imagens de segurança capturadas na residência de Silvana Germann de Aguiar mostram um automóvel vermelho entrando na propriedade às 20h34 do dia 24 de janeiro, exatamente no último dia em que a mulher foi vista com vida. Oito minutos depois, o mesmo veículo deixa o local. A polícia acredita firmemente que a localização desse carro pode ser fundamental para esclarecer a dinâmica completa dos fatos e determinar o que realmente aconteceu com a família.

O caso envolve o desaparecimento de três pessoas: Silvana Germann de Aguiar, de 39 anos, e seus pais idosos, Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar. Todos estão desaparecidos desde o final de janeiro, sem qualquer sinal de vida ou comunicação.

Prisão temporária do principal suspeito

O policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana, encontra-se preso temporariamente desde o dia 10 de fevereiro sob suspeita de envolvimento no desaparecimento da família. O prazo inicial de sua prisão, que dura 30 dias, está próximo do término, mas o delegado Anderson Spier já confirmou que solicitará a prorrogação da medida.

"Devido à grande quantidade de dados que ainda precisam ser analisados e informações importantes que continuam chegando para complementar as diligências, provavelmente solicitaremos a prorrogação da prisão temporária ainda esta semana", declarou o delegado.

O advogado de defesa, Jeverson Barcellos, mantém que seu cliente é inocente e argumenta contra a renovação da prisão: "Sobre a possível renovação, buscaremos junto ao judiciário para que não seja deferida, entendendo que o tempo decorrido e sua condição de funcionário público sem antecedentes não devem ser utilizados em seu desfavor".

Linha do tempo dos acontecimentos

Os investigadores reconstruíram minuciosamente os eventos que antecederam e sucederam o desaparecimento:

  1. Antes do sumiço: Em 2 de janeiro, Silvana solicita contato do Conselho Tutelar em grupo de mensagens. No dia 9, ela registra que o ex-marido desrespeitava restrições alimentares do filho do casal.
  2. 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Publicação em suas redes sociais menciona acidente em Gramado que nunca ocorreu, possivelmente para despistar. Câmeras registram movimentação atípica de veículos em sua residência.
  3. 25 de janeiro (domingo): Os pais de Silvana saem para procurá-la após alerta de vizinhos. Visitam o ex-genro Cristiano e depois desaparecem ao entrar em carro não identificado.
  4. Início das investigações: Entre 27 e 28 de janeiro, desaparecimentos são formalmente registrados. Em 1º de fevereiro, Cristiano envia foto de dentro da casa dos sogros. No dia 3, projétil de arma de fogo é encontrado no pátio.
  5. Perícias e prisão: Em 5 de fevereiro, vestígios de sangue são coletados na casa de Silvana. No dia 7, seu celular é encontrado escondido. Em 10 de fevereiro, Cristiano é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico revelar movimentações suspeitas.

Desenvolvimentos recentes e perspectivas

A polícia já ouviu mais de 30 pessoas e mantém Cristiano como único suspeito no caso. A relação entre ele e a ex-esposa é descrita como conturbada, principalmente devido a divergências sobre a criação do filho em comum. Com mais de um mês desde os desaparecimentos, as autoridades praticamente descartam encontrar a família com vida.

A principal linha de investigação aponta para feminicídio (contra Silvana), duplo homicídio (contra os pais) e ocultação de cadáveres. Em 25 de fevereiro, Silvana foi considerada a 20ª vítima de feminicídio no Rio Grande do Sul em 2026.

A perícia no celular de Silvana confirmou que o aparelho nunca esteve em Gramado, desmentindo completamente a publicação feita em suas redes sociais no dia do desaparecimento. Além disso, foi constatado que o mesmo carro vermelho entrou duas vezes na residência de Silvana em 24 de janeiro, mas a identificação da placa permanece impossibilitada.

A operação de fiscalização dos seis mil veículos representa um esforço significativo das autoridades para encontrar novas pistas que possam levar à solução deste caso complexo que tem mobilizado a comunidade de Cachoeirinha e chamado a atenção em todo o estado.