PM com histórico de violência é preso após executar duas mulheres em Cariacica
O cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, de 46 anos, da Polícia Militar do Espírito Santo, foi preso após executar duas mulheres em Cariacica, na Grande Vitória, no dia 8 de abril. O policial, que está há 18 anos na corporação, já responde a outros processos envolvendo pelo menos cinco mortes e duas lesões corporais graves, revelando um padrão de conduta violenta que se estende por anos.
Histórico de ocorrências com mortes
Desde 2009, o cabo do Vale esteve envolvido em casos fatais. No primeiro ano como policial, participou de uma ocorrência em Porto de Santana, Cariacica, que resultou na morte de Cheverton Silva Guss, de 23 anos. A Polícia Civil concluiu o inquérito em 2013, considerando a ação como legítima defesa. Em 2022, ele foi acusado de matar Lara Croft, uma mulher trans de 34 anos, durante uma abordagem no bairro Alto Lage, também em Cariacica. O processo segue na Justiça Militar, e o policial foi afastado das ruas, cumprindo funções administrativas.
Em 2024, mesmo afastado, o cabo do Vale atirou em Rone Calisto Meira, de 39 anos, durante uma ocorrência policial no bairro Campo Grande. O caso foi encaminhado ao Tribunal do Júri de Cariacica, pois a Justiça entendeu que não se trata de crime militar. Além disso, ele enfrenta denúncias por lesão corporal grave, incluindo um episódio em 2020, quando atuava como segurança particular em uma boate em Itaparica, Vila Velha, atividade proibida para militares da ativa.
Execução recente e prisão
No caso mais recente, o cabo do Vale foi flagrado por câmeras, fardado e em horário de serviço, atirando à queima-roupa contra Daniele Toneto, 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, 31 anos, que estavam desarmadas em uma calçada no bairro Cruzeiro do Sul, Cariacica. Testemunhas relataram que a discussão começou por causa de um ar-condicionado e envolvimentos pessoais, levando a ex-esposa do policial a acioná-lo. Após a ligação, ele deixou seu posto administrativo e foi ao local acompanhado de outros policiais.
Seis policiais militares presenciaram a cena e não intervieram, descumprindo protocolos da corporação que exigem ação em crimes contra a vida. Todos foram afastados das ruas e tiveram as armas apreendidas. O governo do estado pediu o afastamento completo desses agentes, enquanto a Justiça decretou a prisão preventiva do cabo do Vale, que está detido no Quartel do Comando-Geral, em Vitória. A Polícia Militar também abriu um processo demissionário contra ele.
Reações e investigações
O comandante-geral da PM, coronel Ríodo Lopes Rubim, afirmou que o cabo do Vale feriu a honra da instituição e que o processo demissionário já foi instaurado. O prazo para conclusão do inquérito militar é de 20 dias, mas não há previsão para o término do processo demissionário. A Associação das Praças da PM e do Corpo de Bombeiros do ES criticou o afastamento dos outros policiais, alegando que agiram corretamente e não contribuíram para o crime.
Familiares das vítimas expressaram indignação. Silvana Santos, mãe de Lara Croft, lamentou que o policial tenha continuado trabalhando após matar sua filha, o que permitiu que ceifasse mais vidas. Ela questionou a repetição de crimes e a demora da Justiça em agir. As investigações continuam, com foco na conduta do cabo do Vale e dos policiais que não intervieram, destacando falhas sistêmicas na segurança pública do estado.



