PGR solicita condenação de cinco acusados pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes
A Procuradoria Geral da República (PGR) apresentou formalmente o pedido de condenação para cinco indivíduos acusados de ordenar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O caso, que chocou o país, começou a ser julgado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 24 de setembro.
Defesa alega falta de provas e pede absolvição dos réus
Os advogados de defesa dos acusados argumentaram vigorosamente que a PGR não conseguiu apresentar provas suficientes para sustentar as acusações. Eles solicitaram a absolvição imediata de todos os réus, destacando supostas inconsistências nas investigações.
Os cinco acusados são:
- Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, acusado de duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.
- João Francisco Inácio Brazão, deputado federal cassado, também acusado de duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio de Fernanda Chaves.
- Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, acusado de duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio.
- Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar, acusado de duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio.
- Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão, acusado de organização criminosa.
Argumentos da defesa questionam fundamentação das acusações
Os advogados de defesa apresentaram diversos pontos para contestar as acusações. Felipe Dalleprane, representando Rivaldo Barbosa, afirmou que após mais de sessenta diligências, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) não encontrou elementos que justificassem a denúncia pelo assassinato de Marielle Franco, nem por corrupção e lavagem de dinheiro.
"A acusação quer fazer crer que o Rivaldo estaria em um banco de negócios sem que o nome dele tenha sido sequer citado nas investigações", declarou Dalleprane durante a sessão.
Marcelo Souza, também defensor de Rivaldo Barbosa, reforçou que não há demonstrações concretas de pagamento ao ex-delegado e rebateu a acusação de que ele foi nomeado para o cargo com influência dos irmãos Brazão. "A PGR não trouxe um elemento sequer de prova, de algum motivo, de que Rivaldo estava nessa empreitada criminosa", afirmou Souza, pedindo absolvição por negativa de autoria.
Defesa de Chiquinho Brazão contesta delação de Ronnie Lessa
O advogado Cleber Lopes, representando o deputado cassado Chiquinho Brazão, declarou que não conseguiu entender a "lógica da acusação" e afirmou que a delação de Ronnie Lessa "esbarra nos fatos".
"A acusação trabalha com o mais absoluto jejum em relação à prova. Todos sabemos que a prova carece de uma lógica. Esse processo não resiste a juízo crítico", argumentou Lopes, acrescentando que "a defesa prova que ele está mentindo" em referência às declarações de Lessa.
O julgamento no STF continua em andamento, com expectativa de novas declarações e desdobramentos nos próximos dias. A sociedade brasileira acompanha atentamente este caso emblemático que envolve figuras públicas e questões profundas de justiça e segurança.



