Megaoperação da Polícia Federal desarticula organização criminosa com prisões de funkeiros e influenciadores
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (15) uma megaoperação de grande alcance que resultou na prisão de figuras conhecidas do cenário do funk e das redes sociais. A Operação Narco Fluxo cumpriu 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão, abrangendo oito estados brasileiros e o Distrito Federal. O alvo central é uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de um esquema sofisticado que unia tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais ao universo do entretenimento digital.
Quem são os principais alvos presos na ação policial?
Entre os detidos estão nomes de grande repercussão pública:
- MC Ryan SP, apontado pelas investigações como líder da organização criminosa.
- MC Poze do Rodo, outro expoente do funk nacional.
- Raphael Sousa Oliveira, criador da influente página de notícias Choquei.
- Chrys Dias, influenciadora digital com quase 15 milhões de seguidores.
- Outros produtores de conteúdo e figuras ligadas ao esquema.
As investigações revelaram que a organização utilizava a indústria audiovisual e o showbusiness digital como fachada para ocultar a origem ilícita dos recursos, promovendo uma intrincada rede de transações financeiras ilegais.
O papel central do contador Rodrigo Morgado
A PF identificou o empresário Rodrigo Morgado como o operador financeiro e contador do esquema. Proprietário da Quadri Contabilidade, sediada em Santos (SP), Morgado é acusado de articular transferências bancárias, viabilizar repasses em nome de terceiros e prestar serviços de gerenciamento financeiro para atender às demandas do grupo.
Segundo as apurações, suas atividades iam desde a ocultação patrimonial até a evasão fiscal, incluindo a criação de empresas de fachada, emissão de notas fiscais sem lastro e operações com criptomoedas para reintroduzir valores no sistema formal.
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal reforçaram sua posição como intermediador de MC Ryan SP, vinculando-o também a suporte financeiro para outras organizações criminosas.
Histórico criminal e conexões de Morgado
Rodrigo Morgado não é um novato no radar das autoridades. Ele já havia sido preso em outubro de 2025 durante a Operação Narco Bet, ação que desarticulava um esquema de lavagem com movimentações em criptomoedas e remessas internacionais. Na ocasião, foram encontrados repasses de R$ 19 milhões do contador para a empresa do influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, o Buzeira.
Atualmente detido na penitenciária de Caiuá (SP), Morgado agora responde também pelos novos crimes apurados na Operação Narco Fluxo. Seu advogado, Felipe Pires de Campos, informou que aguarda a liberação do sigilo dos autos para tomar ciência dos termos da decisão judicial.
Além de sua atuação criminosa, Morgado ganhou notoriedade pública por:
- Sortear um carro em uma festa de fim de ano de sua empresa e depois tomá-lo da funcionária sorteada, alegando descumprimento de regulamento – caso posteriormente resolvido em acordo.
- Posar ao lado do jogador Neymar Jr. nas redes sociais, celebrando uma suposta amizade e afirmando ter visitado a casa do atleta.
- Apresentar-se como um dos investidores do Atlético Monte Azul, clube que tem entre os gestores o pai de Neymar.
Seu histórico inclui ainda uma prisão anterior na Operação Narco Vela, em abril de 2025, por porte ilegal de arma, quando uma arma foi encontrada no porta-luvas de sua Lamborghini durante buscas policiais.
O alcance e os objetivos da Operação Narco Fluxo
A megaoperação desta quarta-feira buscou cumprir 90 mandados judiciais expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos, incluindo medidas de sequestro de bens obtidos com recursos ilícitos. O esquema desarticulado utilizava a imagem de influenciadores de massa para dar aparência de legalidade a atividades criminosas, infiltrando-se profundamente no mercado do entretenimento digital.
A Polícia Federal destacou que a ação representa um golpe significativo em uma rede que misturava crime organizado e celebridades das redes sociais, expondo as complexas conexões entre o mundo do funk, a influência digital e o financiamento de atividades ilícitas em escala bilionária.



