PF desarticula quadrilha especializada em fraudes milionárias contra a Caixa
A Polícia Federal (PF) deflagrou na última quarta-feira (25) a Operação Fallax, que resultou na prisão de 15 integrantes de uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal. Ao todo, a Justiça Federal emitiu 21 mandados de prisão, mas seis suspeitos seguem foragidos até o momento.
Esquema utilizava até familiares como 'laranjas'
As investigações revelaram que os criminosos não hesitaram em envolver parentes próximos em suas atividades ilícitas. Raphael Abrantes do Lago, morador de São Paulo, teria utilizado a própria mãe como 'laranja' para receber aproximadamente R$ 1 milhão. Já Sarah Tais Barbosa, residente em Limeira (SP), teria aberto empresas de fachada usando o nome de sua filha. Ambos foram presos durante a operação policial.
Falsificação documental em escala industrial
As investigações da PF descobriram uma sofisticada estrutura de falsificação documental que operava de maneira industrial e continuada, conforme descrito em decisão judicial. O principal responsável por esse trabalho seria Bruno Carvalho de Oliveira, de São Bernardo do Campo (SP), que está entre os presos.
O serviço criminoso incluía:
- Falsificação de assinaturas em contratos bancários
- Adulteração de comprovantes de endereço
- Manipulação de extratos de maquininhas de cartão
- Retificação de declarações de imposto de renda com rendimentos fictícios
Líder do esquema segue foragido
Segundo as investigações, o cérebro da organização é o empresário Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, conhecido como 'Ralado' e residente em Americana (SP). Houve tentativa de prendê-lo na quarta-feira, mas ele não estava em seu apartamento no condomínio Terras do Imperador e permanece foragido.
O suspeito seria responsável pela coordenação de todas as frentes de atuação, incluindo:
- Captação de 'laranjas' para o esquema
- Constituição de pessoas jurídicas de fachada
- Contato direto com gerentes bancários
- Orientação sobre produção de documentos fraudulentos
Quatro núcleos especializados movimentaram R$ 47 milhões
A organização criminosa estava estruturada em quatro núcleos especializados que permitiram a movimentação de pelo menos R$ 47 milhões:
Núcleo Bancário: Responsável pela viabilização de abertura de contas, concessão de crédito e fornecimento de informações internas. Inclui os gerentes da Caixa Alexander Amorim de Almeida e Rodrigo Nagao, ambos de São Paulo e presos na operação.
Núcleo Contábil: Atuava na elaboração de documentos para pedidos de crédito, como declarações fiscais, demonstrações contábeis e comprovantes de endereço adulterados.
Núcleo Financeiro: Fazia a gestão de contas bancárias em nome de 'laranjas', emissão e pagamento de boletos, controle de máquinas de cartão e realização de transferências suspeitas.
Núcleo de Cooptação: Responsável por identificar e aliciar potenciais 'laranjas' para figurarem como sócios de empresas fantasmas.
Caixa colabora com investigações e reforça compromisso
Em nota oficial, a Caixa Econômica Federal afirmou que colabora integralmente com as investigações da Polícia Federal. A instituição destacou que possui políticas rigorosas de prevenção e combate a fraudes, lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, alinhadas às melhores práticas de mercado e à legislação vigente.
A Caixa reafirmou seu compromisso com a integridade, transparência e proteção do patrimônio público, além da pronta adoção de medidas administrativas e judiciais para responsabilização dos envolvidos e ressarcimento de eventuais prejuízos.
PF identifica uso de criptoativos para ocultação de valores
As investigações também revelaram indícios de utilização de criptoativos como meio adicional de circulação e ocultação de valores ilícitos. Essa prática demonstra a sofisticação do esquema criminoso para dificultar o rastreamento do dinheiro desviado.
A Polícia Federal cumpriu ainda mandado de busca e apreensão contra Rafael Ribeiro Leite Góis, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor. Sua defesa informou que prestará os esclarecimentos necessários às autoridades assim que tiver acesso ao conteúdo completo da investigação.



