Operação Ultima Ratio: PF conclui inquérito e pede denúncia de sete desembargadores por esquema de venda de sentenças em MS
A Polícia Federal (PF) finalizou o relatório da Operação Ultima Ratio e encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) um pedido formal de denúncia contra sete desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Os magistrados são acusados de transformar seus gabinetes em verdadeiros balcões para a negociação ilegal de decisões judiciais, em um esquema que envolvia processos de disputas de terras e execuções financeiras.
Detalhes da investigação e provas coletadas
O inquérito policial, ao qual o g1 teve acesso, revela um sistema sofisticado de corrupção onde filhos de desembargadores atuavam como intermediários nas transações ilícitas. As investigações apontaram para movimentações financeiras atípicas identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), incluindo a descoberta de quase R$ 3 milhões em espécie na residência de um dos magistrados durante a execução de mandados de busca e apreensão.
A operação, deflagrada em outubro de 2024, resultou no afastamento temporário dos desembargadores suspeitos de suas funções. O relatório final, assinado pelo delegado Marcos André Araújo Damato no final de março deste ano, detalha minuciosamente as provas de negociações ilícitas e o fluxo de grandes quantias em dinheiro vivo, estrategicamente utilizado para ocultar o rastro das propinas.
Lista dos desembargadores e crimes imputados
A PF recomendou ao MPF a denúncia dos seguintes desembargadores por crimes de corrupção passiva e/ou lavagem de dinheiro:
- Sideni Soncini Pimentel
- Vladimir Abreu da Silva
- Julio Roberto Siqueira Cardoso
- Alexandre Aguiar Bastos
- Sergio Fernandes Martins
- Divoncir Schreiner Maran
- Marcos José de Brito Rodrigues
O g1 tentou contato com as defesas de todos os desembargadores mencionados, bem como com a assessoria de comunicação do TJMS, para obter posicionamentos sobre a conclusão do inquérito. Até o momento da última atualização desta reportagem, nenhuma resposta foi recebida de qualquer uma das partes envolvidas.
Este caso representa um dos mais significativos escândalos de corrupção no Poder Judiciário sul-mato-grossense nas últimas décadas, levantando sérias questões sobre a integridade de processos judiciais e a necessidade de reforçar os mecanismos de controle e transparência dentro do sistema.



