PF: Pai de Daniel Vorcaro financiava grupo criminoso para coagir ameaçar desafetos do filho
PF: Pai de Daniel Vorcaro financiava grupo para coagir desafetos

A Polícia Federal (PF) realizou nesta quinta-feira (14) a prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo os investigadores, Henrique financiava e atuava como operador de uma estrutura criminosa que reunia bicheiros, milicianos e hackers, utilizada para coagir e ameaçar desafetos do filho. A corporação afirma que o grupo também cooptou uma delegada e agentes da PF para obter acesso a dados sigilosos de investigações sobre o caso Master.

Detalhes da operação

A prisão de Henrique Vorcaro ocorreu no início da manhã em Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Além dele, foram presos um agente da ativa da PF, um hacker e um investigado apontado como bicheiro. Outras três pessoas seguem foragidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o afastamento da delegada federal Valéria Pereira da Silva e impôs medidas cautelares contra seu marido, o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva, acusados de vazar informações de investigações para o grupo.

Apreensões e valores

Durante a operação, os agentes apreenderam R$ 62 mil em dinheiro, armas, carros, computadores e celulares. A PF detalhou a atuação de dois grupos que agiam a mando de Daniel Vorcaro: "A Turma" e "Os Meninos". O primeiro era responsável por ameaças presenciais, intimidações, coerções e obtenção de dados sigilosos. Já "Os Meninos" tinha perfil tecnológico, voltado para ataques cibernéticos, derrubada de perfis em redes sociais e monitoramento ilegal.

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O papel de Henrique Vorcaro

Segundo a PF, Henrique Vorcaro tinha atuação fundamental no núcleo conhecido como "A Turma". Ele solicitava serviços ilícitos e gerenciava o esquema de pagamentos. Em diálogos extraídos do celular de Marilson Roseno, policial federal aposentado e líder operacional do grupo, Henrique aparece como financiador. Em uma conversa de janeiro de 2026, Marilson pede dinheiro a Henrique, que promete enviar R$ 400 mil. Marilson, no entanto, solicita R$ 800 mil, mencionando que "F" (supostamente Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro) estaria repassando apenas metade do valor.

Envolvimento de policiais

A investigação aponta que o agente da ativa Anderson Wander da Silva Lima realizava pesquisas em bases de dados internas da PF desde agosto de 2023, repassando informações a Marilson Roseno, que as distribuía aos demais comparsas. A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva também é acusada de consultar um inquérito sigiloso sobre Henrique Vorcaro e compartilhar os dados com o marido, Francisco José Pereira da Silva.

Ameaças no Rio de Janeiro

Manoel Mendes Rodrigues, apontado como bicheiro, era responsável por fazer ameaças a desafetos de Vorcaro no Rio de Janeiro, acionando milicianos e policiais. Luis Felipe Woyceichoski, ex-comandante da embarcação de Daniel Vorcaro, relatou ter sido ameaçado de morte por um grupo de sete homens, um dos quais se identificou como Manoel, amigo de Daniel Vorcaro que "mexia com jogo do bicho".

Manifestações das defesas

A defesa de Henrique Vorcaro considera a prisão excessiva e alega que ela foi decretada antes de ele ser ouvido. O advogado de Valéria e Francisco Pereira da Silva afirma que ambos têm histórico de bom trabalho na PF e provarão sua inocência. O Jornal Nacional não conseguiu contato com os demais investigados.

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