PF investiga Deolane Bezerra por lavagem de R$ 1,6 bi em esquema com funkeiros e influenciadores
PF investiga Deolane Bezerra por lavagem de R$ 1,6 bi

PF investiga advogada e influenciadora por suspeita de lavagem de R$ 1,6 bilhão

A Polícia Federal em São Paulo conduz investigação contra a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra Santos por suspeita de participação em esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado pelo menos R$ 1,6 bilhão. A organização criminosa investigada utilizava o ambiente artístico e digital para ocultar recursos originados de tráfico internacional de drogas, apostas ilegais e rifas clandestinas.

Operação Narco Fluxo prende funkeiros e influenciadores

Na quarta-feira (15), a Operação Narco Fluxo resultou na prisão temporária dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores Chrys Dias e Raphael Sousa (da página Choquei). A ação mobilizou 200 policiais federais que cumpriram 33 mandados de prisão e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal.

Segundo relatório de inteligência da PF, a conta bancária de Deolane Bezerra funcionava como "conta de passagem", com dinheiro entrando e saindo rapidamente para dificultar o rastreamento. Entre 14 de maio e 30 de junho do ano passado, a conta movimentou R$ 5,3 milhões, incluindo:

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  • Recebimento de R$ 430 mil da produtora de MC Ryan SP
  • Transferência de R$ 1,16 milhão para o Instituto Projeto Neymar Jr.
  • Pagamentos superiores a R$ 1,1 milhão à empresa Sul Import Veículos

Esquema utilizava técnicas sofisticadas de ocultação

A investigação revelou que a organização criminosa aplicava métodos complexos para lavar o dinheiro ilícito:

  1. Smurfing: centenas de transferências fracionadas em pequenos valores para evitar detecção pelo Coaf
  2. Empresas de fachada: uso de produtoras musicais e estabelecimentos comerciais para misturar receitas legítimas com recursos criminosos
  3. Criptoativos: conversão de valores em moedas digitais para dificultar rastreamento
  4. Influenciadores de massa: utilização de figuras públicas com milhões de seguidores para movimentar grandes quantias sem suspeitas imediatas

O grupo teria ligação com o envio de mais de três toneladas de cocaína ao exterior, segundo as investigações da PF.

Bens apreendidos incluem carros de luxo e joias valiosas

Durante as buscas, a Polícia Federal apreendeu bens de alto valor, incluindo:

  • 55 carros de luxo e motocicletas (avaliados em mais de R$ 20 milhões)
  • 120 armas e munições
  • 56 itens de joias e relógios, incluindo modelos Rolex
  • R$ 300 mil em espécie e US$ 7,3 mil (cerca de R$ 36 mil)
  • 53 celulares e 56 mídias eletrônicas (computadores, tablets e notebooks)

Entre os itens mais destacados estão uma Mercedes-Benz G63 rosa de R$ 2 milhões e uma réplica de carro de Fórmula 1 da McLaren, encontradas na mansão de Chrys Dias. Na residência de MC Ryan SP, foi apreendido um colar de ouro com a imagem de Pablo Escobar emoldurada pelo mapa de São Paulo.

Contas de influenciadores são retiradas do ar após prisões

Após as prisões, as contas oficiais de MC Ryan SP e Chrys Dias no Instagram foram removidas da plataforma. O funkeiro, apontado como o artista mais ouvido do Brasil no Spotify, reunia mais de 15 milhões de seguidores, enquanto a influenciadora somava mais de 14 milhões. A Meta, controladora do Instagram, informou que não comentaria o caso.

Defesas se manifestam sobre as acusações

As defesas dos investigados apresentaram diferentes posições:

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  • A defesa de MC Ryan SP afirma que o artista é íntegro e que todas suas transações são lícitas
  • O advogado de MC Poze do Rodo informou que ainda não teve acesso aos autos, mas que buscará a liberdade do cantor
  • A defesa de Raphael Sousa sustenta que seu vínculo com os investigados é estritamente publicitário
  • Até a última atualização, as defesas de Deolane Bezerra e Chrys Dias não haviam sido localizadas

A investigação é um desdobramento de operações anteriores como Narco Vela e Narco Bet, que já apuravam o uso de apostas e empresas para ocultar dinheiro do tráfico internacional de drogas. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados.