PF investiga infiltração do PCC em prefeituras de SP com uso de heliponto do governo
PCC infiltrado em prefeituras de SP usou heliponto do governo

A Polícia Civil de São Paulo investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em prefeituras do estado. As apurações revelaram que um operador financeiro da facção usou o heliponto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, para ir a um jogo no estádio do Morumbi em março de 2022, durante a gestão de João Doria.

Operador preso e ex-vereador envolvido

De acordo com a polícia, o operador é João Gabriel de Melo Yamawak, da empresa 4TBank, preso desde março deste ano por tráfico de drogas. A autorização para o pouso foi obtida pelo ex-vereador de Santo André, Thiago Rocha de Paula, preso suspeito de ser articulador político do PCC. Segundo a investigação, o ex-vereador teria alegado que se tratava de uma delegação japonesa.

Operação Contaminatio

Thiago Rocha e outros três investigados foram presos temporariamente nesta segunda-feira (27) durante a Operação Contaminatio, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes. A ação investiga a criação de um núcleo político dentro da facção para se infiltrar em prefeituras. A Polícia Civil afirma que o PCC tentou lançar candidatos nas eleições municipais de 2024 para beneficiar a organização criminosa.

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Foram cumpridos quatro mandados de prisão e 22 de busca e apreensão em sete cidades de São Paulo, duas em Goiás, uma no Paraná e em Brasília. O delegado Fabricio Intelizano, titular da Dise de Mogi das Cruzes, destacou: “Nós percebemos que eles tinham uma rede de contatos envolvendo pessoas eleitas, candidatos, membros da administração municipal, o que lhes dava influência nas decisões, acesso a licitações e gerenciamento de receitas.”

Apreensões e bloqueio de valores

A operação apreendeu celulares, notebooks, documentos e carros. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 500 milhões (R$ 513,6 milhões) em contas bancárias e bens. A investigação é desdobramento de outra, realizada em agosto de 2024, que identificou empresas suspeitas de ligação com o PCC, como o 4TBank, financeira investigada por lavagem de dinheiro e financiamento do tráfico.

O delegado explicou o esquema: “Eles queriam colocar o banco para receber tributos. Imagine o cidadão pagando o IPTU e o valor sendo gerido pelo banco criado pelo PCC. Resumindo, o PCC administraria os impostos da cidade.” Ele acrescentou que a tentativa ocorreu em Santos, Santo André, Ribeirão Preto e Campinas, mas ainda não se sabe se foi concretizada.

Reações oficiais

A TV Globo tentou contatar as defesas de Thiago Rocha, João Gabriel e do 4TBank, mas não obteve retorno. O PSD informou que “Thiago Correa está afastado das atividades partidárias do PSD de Santo André e não disputou as últimas eleições. O PSD SP apurará as medidas cabíveis.”

A Prefeitura de Campinas declarou que a operação não tem relação com a atual administração e reafirmou seu compromisso com a transparência e legalidade. A Câmara de Santo André esclareceu que Thiago Rocha exerceu mandato como 3º suplente por apenas 20 dias em maio de 2022, sem participar de licitações ou decisões estratégicas, e que seus registros estão disponíveis para investigação.

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