Pastor digital é investigado por suposta injúria homofóbica em hospital público da Bahia
O pastor Moisés Neri dos Santos, conhecido nas redes sociais como pastor Moisés, está sendo investigado pela Polícia Civil da Bahia por suspeita de injúria com conotação homofóbica. O caso ocorreu dentro do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana, segunda maior cidade do estado baiano, e foi registrado através de denúncia formal.
Denúncia e abertura do inquérito policial
De acordo com informações oficiais da Polícia Civil, a 1ª Delegacia Territorial (DT) de Feira de Santana instaurou um inquérito na segunda-feira, dia 20 de maio, após um jovem de 20 anos relatar ter sido alvo de ofensas homofóbicas proferidas pelo pastor de 55 anos. A ocorrência teria acontecido dentro das dependências da unidade hospitalar, durante atividades religiosas.
O advogado do pastor, Armênio Seixas, confirmou ao g1 que Moisés realizava uma pregação religiosa no hospital quando a situação se desenrolou. "Fomos acionados para comparecer ao hospital para acompanhar a situação de que o pastor tinha sido acusado da prática de uma conduta de homofobia contra um jovem que trabalha lá", explicou o defensor.
Desdobramentos do caso e versões conflitantes
Segundo relatos do advogado, ao chegar ao local do hospital, o funcionário já estava acompanhado por policiais, enquanto o pastor aguardava no posto policial da própria unidade de saúde. Todos os envolvidos foram conduzidos até a delegacia do bairro Sobradinho para prestar esclarecimentos necessários ao caso.
Na delegacia, foram ouvidos a vítima, uma testemunha e o próprio pastor Moisés. Durante os depoimentos, o jovem de 20 anos relatou ter se sentido profundamente ofendido após o pastor supostamente afirmar que "a homossexualidade seria abominável aos olhos de Deus".
O advogado Armênio Seixas apresentou a defesa do pastor, afirmando que seu cliente nega categoricamente a prática de qualquer crime e sustenta que não direcionou ofensas a nenhuma pessoa específica. Caso tenha feito alguma declaração, teria sido com base estritamente em ensinamentos bíblicos e de forma genérica, sem intenção de ofender indivíduos em particular.
Liberação dos envolvidos e próximos passos
Após serem ouvidos pelas autoridades policiais, todos os envolvidos no caso foram liberados. O advogado do pastor informou que "agora vamos aguardar o decorrer dessa investigação e o encaminhamento para o Judiciário, para que possamos atuar também nessa esfera", indicando que o processo seguirá seu curso legal.
O pastor Moisés é uma figura conhecida nas redes sociais, onde já viralizou com pregações em espaços públicos e privados de Feira de Santana, acumulando aproximadamente 234 mil seguidores em suas plataformas digitais. Sua atuação como influenciador religioso agora se encontra sob o escrutínio das investigações policiais.
Posicionamento institucional e continuidade das investigações
Procurada pelo g1, a direção do Hospital Geral Clériston Andrade informou que tem conhecimento do caso ocorrido em suas dependências, mas que, até o momento presente, não pretende se pronunciar oficialmente sobre o assunto.
O caso segue agora sob investigação detalhada da Polícia Civil, que realiza oitivas e coleta de provas para esclarecer completamente as circunstâncias da ocorrência. As autoridades buscam apurar se houve efetivamente a prática do crime de injúria qualificada por preconceito, conforme previsto na legislação brasileira.
A investigação ocorre em um contexto social mais amplo de discussões sobre liberdade religiosa, direitos LGBTQIA+ e os limites do discurso em espaços públicos e institucionais. O desfecho do caso poderá estabelecer precedentes importantes para situações similares que envolvam líderes religiosos e declarações em ambientes de saúde pública.



