Pai de Silvana Aguiar entrou em casa da filha minutos antes de desaparecer, revela polícia
Pai entrou em casa da filha antes de sumiço, diz polícia

Pai de Silvana Aguiar entrou em casa da filha minutos antes de desaparecer, revela polícia

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul conseguiu reconstruir parte da sequência de eventos que levaram ao misterioso desaparecimento da família Aguiar, ocorrido entre os dias 24 e 25 de janeiro deste ano. Através de um conjunto robusto de provas técnicas, incluindo análises de imagens de câmeras de segurança e dados de geolocalização, os investigadores puderam detalhar os momentos cruciais que antecederam o sumiço de Silvana Aguiar e seus pais, Isail e Dalmira Aguiar.

Últimos momentos de Isail Aguiar capturados em vídeo

Em coletiva de imprensa realizada na sexta-feira, 17 de maio, a polícia divulgou um vídeo crucial que mostra Isail Aguiar em frente à casa da filha, Silvana, poucas horas antes de desaparecer. As imagens registram o pai chegando à residência no domingo, 25 de janeiro, por volta das 16h28, acompanhado do principal suspeito do caso, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana. Naquele momento, Silvana já estava desaparecida, e a investigação aponta que Cristiano teria atraído Isail até o local simulando a voz da filha com o uso de inteligência artificial.

O vídeo mostra os dois homens descendo do carro e se dirigindo inicialmente à caixa de luz localizada junto à grade frontal do imóvel. Segundo os delegados, essa movimentação estaria ligada a um enredo criado para atrair Isail sob o pretexto de um suposto problema elétrico na residência. Após alguns minutos na parte frontal, Isail e Cristiano seguem para os fundos da casa, por onde era feito o acesso à residência. Cerca de 20 minutos depois, apenas Cristiano é visto deixando o local sozinho, e desde então, Isail não voltou a ser visto. A polícia afirma que esse é o último registro em vídeo do pai de Silvana com vida.

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Vestígios de sangue e indiciamentos reforçam tese de homicídio

Perícias realizadas na casa de Silvana encontraram vestígios de sangue que foram confirmados como pertencentes a ela e ao pai, Isail. Essas descobertas, aliadas às análises técnicas, reforçam a conclusão da polícia de que Isail teria sido morto dentro da residência. Na coletiva, os delegados destacaram que a materialidade do crime pode ser provada de forma indireta, mesmo sem a localização dos corpos, o que permitiu o indiciamento dos suspeitos.

A Polícia Civil concluiu o inquérito, que tem impressionantes 20 mil páginas, e indiciou seis pessoas na sexta-feira. Cristiano Domingues Francisco, o principal suspeito, foi indiciado por feminicídio, dois homicídios triplamente qualificados, ocultação de cadáver, abandono de incapaz, falsidade ideológica, furto qualificado, fraude processual, falso testemunho e associação criminosa. A investigação aponta que a motivação do crime seria uma disputa pela criação do filho do PM com Silvana, além de questões financeiras ligadas ao patrimônio da família Aguiar.

Outras cinco pessoas também foram indiciadas, incluindo a atual esposa de Cristiano, seu irmão Wagner Domingues Francisco, a mãe e a sogra do PM, e um amigo. Eles enfrentam acusações como fraude processual, ocultação de cadáver, furto qualificado, falso testemunho e associação criminosa. A defesa de Wagner emitiu uma nota afirmando que as imputações são meras hipóteses investigativas e que ele está à disposição das autoridades.

Linha do tempo detalha investigação complexa

O caso começou a se desenhar antes do desaparecimento, com Silvana registrando queixas no Conselho Tutelar sobre o ex-marido em janeiro. No fim de semana dos desaparecimentos, em 24 de janeiro, Silvana foi vista pela última vez, e uma publicação falsa em suas redes sociais sobre um acidente em Gramado teria sido usada para despistar o crime. No dia seguinte, seus pais saíram para procurá-la e foram atraídos por Cristiano.

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As investigações se intensificaram com buscas, apreensões de dispositivos eletrônicos, e a prisão temporária de Cristiano em fevereiro, após quebras de sigilo indicarem movimentações suspeitas. A perícia confirmou que o celular de Silvana nunca esteve em Gramado, desmentindo a postagem falsa. Em abril, a Justiça decretou a prisão preventiva de Cristiano, e buscas com cães farejadores continuam em áreas rurais da Região Metropolitana de Porto Alegre, embora os corpos não tenham sido localizados.

O delegado Anderson Spier enfatizou que a vasta quantidade de evidências, incluindo dados técnicos e provas indiretas, sustenta a materialidade do crime, permitindo ações judiciais mesmo na ausência dos corpos. A família Aguiar permanece desaparecida, e o caso segue sob investigação, com a polícia confiante de que a justiça será alcançada através do devido processo legal.