Paciente denuncia injúria por anestesista e cirurgia é cancelada em hospital de SP
A Santa Casa de Capão Bonito, no interior de São Paulo, está apurando uma denúncia de injúria contra um médico anestesista, registrada por uma paciente na quarta-feira, 25 de outubro. O boletim de ocorrência foi feito de forma on-line no sábado, 28 de outubro, após a mulher, que também é funcionária do hospital, relatar um episódio de agressão verbal que resultou no cancelamento de sua cirurgia de hérnia incisional.
Episódio de agressão verbal na porta do centro cirúrgico
A paciente, que preferiu não se identificar, contou que havia realizado todos os exames e procedimentos pré-operatórios para a cirurgia, aguardada há três anos. Ela foi internada às 6h e, quatro horas depois, estava sendo levada ao centro cirúrgico quando foi abordada pelo médico anestesista de forma agressiva. "Fui colocada na maca e, na porta, fui abordada pelo médico anestesista de forma totalmente agressiva", descreveu.
Segundo a vítima, o profissional a chamou de "mentirosa" e a acusou de aplicar remédios emagrecedores diariamente, o que supostamente comprometeria o andamento da cirurgia. "Ele disse que ficou sabendo por colegas de trabalho que eu estaria aplicando remédios emagrecedores em mim mesma todos os dias, o que não aconteceu. Este tipo de medicamento sequer é aplicado diariamente", alegou a mulher, ressaltando que as acusações são falsas.
Cancelamento da cirurgia e busca por direitos
Devido ao desentendimento, a cirurgia foi desmarcada sem que a paciente recebesse um documento oficial explicando o motivo. "Logo depois do que aconteceu, eu fiz uma carta ao diretor do hospital solicitando que o anestesista colocasse no papel o motivo dele ter cancelado, mas nada aconteceu. Eles não estão querendo entregar o papel e eu irei atrás dos meus direitos", afirmou.
A paciente sofre com dores diárias devido à hérnia, que pioram no trabalho, onde precisa carregar objetos pesados. "Já precisei pegar atestado devido à dor que a hérnia causa várias vezes. Eu sinto dores durante o expediente de trabalho, já precisei tomar analgésicos na veia. Eu realmente preciso dessa cirurgia para ter qualidade de vida", desabafou.
Hospital propõe remarcação, mas paciente recusa
O hospital chegou a propor remarcar a cirurgia com outro anestesista para abril, mas a mulher recusou. "Eu não sinto mais confiança. Me senti profundamente humilhada e exposta no meu ambiente de trabalho. Foi um desgaste físico e emocional muito grande, além da internação desnecessária", completou.
Investigação e posicionamento da Santa Casa
Em nota, a Santa Casa de Capão Bonito informou que a denúncia está sendo apurada pela gerência, garantindo a escuta das partes envolvidas e a adoção das medidas necessárias. A instituição ressaltou que não compactua com qualquer conduta que desrespeite a integridade de pacientes.
No entanto, o hospital afirmou desconhecer o tempo de espera de três anos citado pela paciente, dizendo que o tempo médio é de três meses. A nota também mencionou que medidas assistenciais já foram tomadas, incluindo o reagendamento do procedimento.
O caso segue em investigação, enquanto a paciente busca reparação pelos supostos danos morais e pela interrupção de seu tratamento médico essencial.



