A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (26) a terceira fase da Operação Martelo Virtual, uma ação de grande envergadura que resultou na prisão de quatro investigados e no cumprimento de dez mandados de busca e apreensão em cidades do estado de São Paulo. A operação tem como alvo uma sofisticada organização criminosa suspeita de aplicar o conhecido golpe do falso leilão em escala nacional, com estimativas de movimentação financeira na casa dos R$ 520 milhões ao longo de cinco anos.
Coordenação e alcance da operação
Coordenada pela Polícia Civil de Frutal, localizada no Triângulo Mineiro, a operação contou com o apoio crucial da corporação paulista para executar as ordens judiciais nas cidades de São Paulo, Santo André, Boituva e São Caetano do Sul. Além do estelionato eletrônico, os investigadores também estão apurando crimes graves como lavagem de dinheiro e possível sonegação tributária, indicando a complexidade e o alcance das atividades ilícitas.
Balanço detalhado das investigações
O delegado João Carlos Garcia Pietro Júnior, responsável pelas investigações, forneceu um balanço abrangente da operação. "Nós conseguimos localizar e prender quatro investigados que estão sob custódia. O balanço da Operação Martelo: nós conseguimos identificar 56 investigados, foram cumpridos mais de 77 mandados de busca e apreensão em todas as fases, identificamos mais de 30 empresas supostamente de fachadas que foram abertas pela organização criminosa para lavagem de dinheiro", detalhou o delegado.
Modus operandi do golpe
As investigações revelaram que o grupo atuava de forma altamente estruturada, criando páginas na internet que simulavam plataformas de leilões legítimas, enganando as vítimas de maneira eficaz. Acreditando estar participando de uma negociação regular para arrematar veículos, as vítimas transferiam quantias significativas para contas bancárias controladas pelos estelionatários. A Polícia Civil estima que, apenas no último ano, mais de 250 pessoas tenham sido vítimas desse golpe em diversas regiões do Brasil.
Recuperação de bens e apreensões
Nesta terceira fase, os policiais civis apreenderam uma série de itens valiosos, incluindo celulares, documentos, veículos e outros bens, que serão submetidos a análises periciais minuciosas. Além disso, foram identificados novos imóveis vinculados aos investigados, com valor total estimado em aproximadamente R$ 22 milhões, reforçando a magnitude financeira do esquema criminoso.
Estrutura organizada e lavagem de dinheiro
A organização criminosa operava com uma divisão de tarefas bem definida, incluindo responsáveis pela criação e operação dos sites fraudulentos, indivíduos usados como "laranjas" para receber os valores dos golpes, e integrantes encarregados de realizar saques e transferências para dificultar o rastreamento. Esse processo, denominado internamente de "pulada", consistia no repasse sucessivo do dinheiro, culminando na "pulverização" dos recursos em diversas contas.
Possível ligação com facções criminosas
Um aspecto alarmante revelado na terceira fase da operação é a possível conexão com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O delegado João Carlos Garcia destacou que há movimentações bancárias ligadas à empresa Aster Petróleo S/A, investigada na Operação Carbono Oculto, que apurava esquemas de lavagem de dinheiro da facção por meio de postos de combustíveis. "As provas serão compartilhadas com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal devido à ligação desses investigados", concluiu o delegado.
Contexto e significado da operação
O nome Operação Martelo Virtual é uma referência direta ao objeto utilizado em leilões presenciais para finalizar um lance. No contexto digital do golpe, o martelo virtual simboliza a transposição desse elemento físico para o ambiente online, onde lances fraudulentos são realizados de forma ilusória, enganando vítimas em todo o território nacional.



