MPSE investiga denúncias graves sobre custódia de policial penal no Hospital de Urgência de Sergipe
O Ministério Público de Sergipe (MPSE) iniciou uma apuração formal para investigar possíveis irregularidades na custódia do policial penal Tiago Sóstenes Miranda de Matos, que está preso como principal suspeito do assassinato da empresária Flávia Barros dos Santos, ocorrido em março deste ano em um hotel de Aracaju. As denúncias, divulgadas com exclusividade pelo SE2 nesta sexta-feira (17), apontam para uma série de falhas no procedimento de vigilância durante a internação do acusado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).
Suspeitas de violações graves no protocolo de custódia
Entre as irregularidades investigadas, destacam-se a suspeita de que o preso tenha recebido visitas sem a devida autorização judicial e de que tenha circulado livremente pelas dependências do hospital, sem o uso de algemas e sem o acompanhamento adequado por parte dos agentes responsáveis. Além disso, há indícios de que Tiago Sóstenes possa ter tido acesso a um celular durante o período de internação, o que configuraria uma violação significativa das normas de segurança.
O MPSE também questionou formalmente a ausência de comunicação ao Poder Judiciário sobre a transferência do custodiado para a unidade de saúde, um requisito legal fundamental em casos desse tipo. Diante da gravidade das acusações, o órgão ministerial solicitou informações detalhadas ao Huse, incluindo o envio de imagens dos sistemas de segurança e esclarecimentos por escrito da unidade prisional encarregada da escolta do preso.
Contexto do caso e atual situação do investigado
Tiago Sóstenes Miranda de Matos é acusado de ter efetuado disparos contra Flávia Barros dos Santos e, em seguida, contra si mesmo no episódio de março. Após ser socorrido, ele foi inicialmente levado ao hospital e, posteriormente, transferido para o Presídio Militar. No dia 9 de abril, o policial penal foi conduzido novamente ao Huse para tratamento médico, onde permaneceu até receber alta hospitalar nesta sexta-feira (17).
As promotoras de justiça Luciana Duarte e Cláudia Daniela Franco, responsáveis pelo caso, optaram por não se pronunciar publicamente enquanto aguardam as respostas concretas do hospital sobre as denúncias. Em contrapartida, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) emitiu uma nota informando que não recebeu nenhuma solicitação formal do MPSE referente à conduta do Huse durante a internação do paciente.
A SES ressaltou que a responsabilidade da unidade hospitalar limita-se aos cuidados assistenciais de saúde, cabendo exclusivamente aos órgãos competentes a custódia e a vigilância do preso. Até o momento, a Polícia Militar não se manifestou sobre o assunto, e a defesa de Tiago Sóstenes não foi localizada para comentários.
Repercussões e próximos passos da investigação
Este caso ocorre em um contexto de crescente preocupação com a segurança e o cumprimento dos protocolos em custódias hospitalares, especialmente envolvendo acusados de crimes graves como o feminicídio. A apuração do MPSE busca não apenas esclarecer as circunstâncias específicas deste episódio, mas também verificar se houve negligência ou descumprimento de normas por parte das instituições envolvidas.
As investigações continuam em andamento, com o Ministério Público aguardando a entrega dos documentos e gravações solicitadas para tomar as providências cabíveis. A sociedade aguarda respostas sobre como um preso sob custódia pode ter supostamente desfrutado de liberdades incompatíveis com seu status legal, levantando questões sobre a eficácia dos sistemas de vigilância em ambientes de saúde.



