Caso Master: Ministro Mendonça ordena transferência de Daniel Vorcaro para presídio de segurança máxima
Mendonça transfere Vorcaro para presídio de segurança máxima

Caso Master: Ministro do STF ordena transferência de Vorcaro para presídio de segurança máxima

O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, determinou na noite desta quinta-feira (5) a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para um presídio de segurança máxima localizado em Brasília. Atualmente, o empresário encontra-se preso no estado de São Paulo, mas será realocado para a capital federal em cumprimento à decisão judicial.

Isolamento inicial em São Paulo

Antes da transferência para Brasília, Daniel Vorcaro permanecerá por um período de dez dias na Penitenciária II de Potim, situada no interior de São Paulo. Durante esse tempo, ele ficará em regime de isolamento, ocupando uma cela separada dos demais presos. Nesta fase inicial, o banqueiro não terá direito a participar de atividades educacionais ou de trabalho prisional, conforme estabelecido pela determinação ministerial.

O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também foi transferido para a mesma penitenciária de Potim. Zettel é investigado por supostamente viabilizar o fluxo financeiro do esquema bilionário de fraudes que está sendo apurado pela Polícia Federal. Sua transferência ocorreu em paralelo à de Vorcaro, reforçando as medidas de segurança em torno dos investigados.

Terceira fase da Operação Compliance Zero

A transferência de Vorcaro integra a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (4). Esta etapa da investigação apura a prática de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, supostamente cometidos por uma organização criminosa estruturada.

O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, autorizou as prisões com base na descoberta de ações criminosas e na existência de uma milícia privada que, segundo as investigações, recebia ordens diretas de Vorcaro e monitorava autoridades públicas. A decisão individual de Mendonça será submetida à análise do plenário virtual da Segunda Turma do Supremo, composta por cinco ministros, a partir do dia 13 de dezembro.

Dados do Banco Central fundamentam operação

Informações levantadas pelo Banco Central também serviram como base para esta nova fase da operação. Em 8 de janeiro, o BC abriu uma sindicância interna para investigar irregularidades em atos de dois servidores: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. Ambos os funcionários, que possuem quase trinta anos de serviço público no Banco Central, foram afastados de suas funções no início da sindicância e a investigação interna deve ser concluída na próxima semana.

Na decisão que autorizou a operação, o ministro Mendonça destacou a gravidade das ações da organização criminosa: "A atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da República, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário".

Mensagens reveladoras e investigações paralelas

As trocas de mensagens de Daniel Vorcaro estão sendo minuciosamente analisadas pela CPI mista do INSS. A quebra de sigilo telefônico e telemático do banqueiro havia sido aprovada pela comissão em dezembro de 2025, mas o então relator do caso no Supremo, ministro Dias Toffoli, determinou que os dados ficassem sob custódia da presidência do Senado. Em fevereiro, o novo relator André Mendonça autorizou o acesso da CPI às informações.

Em uma dessas mensagens, datada de 7 de abril de 2025, quando o Banco de Brasília negociava a compra do Master, Vorcaro resumiu o momento em uma conversa com sua então namorada, Marta Graeff: "Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia. Não dá pra sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal".

Em outra comunicação, enviada em 29 de agosto, cinco dias antes de o Banco Central vetar a compra do Master pelo BRB, Vorcaro afirmou: "Tô em Brasília com governador. Estamos aqui combinando estratégia de guerra. A partir de segunda iremos para o ataque". O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB, declarou que todas as tratativas sobre o Master foram conduzidas pelo então presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa. O BRB também está sendo investigado pela Polícia Federal no inquérito do Banco Master.