Mãe de jovem desaparecido há 10 meses no Rio de Janeiro denuncia lentidão da polícia na investigação
A mãe de José Miguel da Cruz Costa, um adolescente que desapareceu há dez meses no estado do Rio de Janeiro, está desesperada com a demora nas investigações policiais. Lília Cruz, que vive em Itaguaí, na Baixada Fluminense, afirma que já não busca mais descobrir os responsáveis pelo sumiço do filho, mas sim dar um enterro digno ao jovem e encerrar um período de intensa agonia.
"Eu só quero saber o que houve com o José Miguel. Onde está? O que aconteceu? Não quero saber quem foi, eu quero dar um enterro para o meu filho e acabar com essa agonia", desabafa Lília, em entrevista à TV Globo. O caso está sob a responsabilidade do Setor de Descoberta de Paradeiros da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), mas a família sente falta de transparência e agilidade.
Falta de respostas e investigação em andamento
A TV Globo questionou a polícia sobre diversos aspectos da investigação, incluindo se as testemunhas que relataram homens armados foram formalmente ouvidas, se as câmeras de segurança da região foram recolhidas e analisadas, e se o carro envolvido no suposto sequestro foi identificado. O primeiro contato ocorreu no dia 11 de fevereiro, sem resposta. Um novo pedido foi enviado no dia 12, também ignorado. No dia 19, a emissora tentou novamente e só recebeu uma resposta quatro dias depois.
Antes disso, o delegado titular da especializada informou que um inquérito policial foi instaurado e que a investigação está em andamento, mas não forneceu detalhes. No site do Ministério Público, consta que o inquérito foi enviado à instituição em 18 de dezembro. Em 9 de janeiro, o MP solicitou novas providências e diligências à Polícia Civil, com um prazo de conclusão de 90 dias.
O desaparecimento de José Miguel
José Miguel, de 16 anos, desapareceu em abril de 2023, logo após sair da escola onde cursava o 2º ano do ensino médio. Na manhã do desaparecimento, Lília levou o filho até o Ciep João Conceição Canuto, em Itaguaí. "Por volta de 12h30 bateram no meu portão e perguntaram: ‘tia, a senhora é mãe do José Miguel?’. Eu respondi que sim e me disseram: ‘corre, porque pegaram seu filho na praça da escola’. No desespero, eu peguei e fui", relatou a mãe.
De acordo com testemunhas, o adolescente teria sido abordado por homens armados vestidos de preto, colocado em um carro e obrigado a desbloquear o celular. Depois disso, não foi mais visto. Naquele dia, ele usava camisa branca, calça jeans, mochila e tênis pretos. O celular foi bloqueado pouco tempo após o incidente.
Lília critica a falta de ação inicial da polícia: "Eu falei que tinha câmeras de segurança, mas não enviaram nenhuma viatura, não pegaram nenhuma câmera. Não fizeram nada". Ela cobra mais empenho nas investigações, enquanto a família aguarda por respostas que possam trazer algum alívio em meio à dor do desaparecimento.



