Cardiologista renomado é preso preventivamente por suspeita de crimes sexuais contra pacientes no RS
O cardiologista Daniel Pereira Kollet, de 55 anos, está preso preventivamente por suspeita de cometer crimes sexuais contra pacientes em consultas médicas. Profissional conhecido na região de Taquara, a aproximadamente 80 quilômetros de Porto Alegre, ele atua há cerca de trinta anos na medicina e possui consultório próprio.
Investigação aponta múltiplas vítimas e ampliação do perímetro
A Polícia Civil já abriu inquéritos e coletou depoimentos de trinta e uma possíveis vítimas, incluindo pacientes e funcionárias que trabalharam com o médico. Segundo o delegado Valeriano Garcia Neto, responsável pelo caso, estão sendo apurados crimes de importunação sexual, violação sexual mediante fraude, estupro e estupro de vulnerável.
"A situação é grave e deve ser apurada com rigor", afirmou o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) em nota oficial. A entidade destacou que, se comprovados os fatos investigados, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis.
O médico, que está inscrito no Cremers desde 1997, também atuou como professor universitário no curso de Medicina da Feevale entre 2022 e 2023, conforme informou a instituição de ensino.
Relatos detalhados revelam padrão de abuso
Uma das pacientes relatou à polícia que Kollet prescreveu medicação controlada sem necessidade médica e solicitou que ela retornasse periodicamente ao consultório. "Foi abusada várias vezes, porque ele mandava voltar na clínica. Ele dopava a vítima e praticava estupros reiterados de forma sistemática", explicou o delegado Valeriano.
Outro caso envolve uma paciente de Porto Alegre que realizava exame de ecocardiografia transtorácica. "Quando sentei na maca, ele me abraçou e disse que, além de linda, eu era cheirosa. Nesse momento, encostou sua parte íntima na minha perna", relatou a vítima, que preferiu não se identificar. Este é o primeiro caso registrado na capital gaúcha, o que levou a polícia a ampliar o perímetro da investigação.
Defesa nega todas as acusações
O advogado Ademir Campana, que representa o cardiologista, afirmou que seu cliente tem "conduta ilibada" e atuação "pautada pela ética, responsabilidade e compromisso". Em manifestação anterior, a defesa declarou que ainda não teve acesso integral ao inquérito e que o médico nega integralmente todas as acusações.
"Conhecido na cidade", definiu o delegado Valeriano sobre o profissional que atendia em várias cidades da região, incluindo Igrejinha, Parobé, Sapiranga e Novo Hamburgo.
Polícia estima que dezenas de outras mulheres possam ter sido vítimas
Segundo as investigações, ao final das consultas, o médico pedia segredo às pacientes. A polícia estima que "dezenas de outras mulheres" possam ter sido vítimas e disponibilizou o telefone (51) 98443-3481 para receber denúncias anônimas.
O caso continua sob investigação rigorosa, com a possibilidade de novas vítimas se apresentarem à medida que as informações sobre a prisão se espalham pela região.



