Médico é preso no Rio Grande do Sul por assédio sexual a mais de 40 pacientes
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu preventivamente o médico Daniel Pereira Kollet, de 55 anos, acusado de assediar sexualmente ao menos 44 pacientes durante consultas médicas. A prisão ocorreu na segunda-feira, 30 de março, no consultório do profissional, localizado no centro de Taquara, cidade do interior gaúcho situada a aproximadamente 80 quilômetros de Porto Alegre.
Padrão de conduta abusiva revelado por investigação
Segundo o delegado Valeriano Garcia Neto, responsável pelo caso, a investigação foi aberta há vinte dias após o relato de três vítimas que romperam o silêncio e buscaram ajuda policial. Até o momento, 14 mulheres já registraram ocorrência formal, enquanto outras 30 relataram ter sido vítimas do médico, mas ainda não formalizaram seus depoimentos.
As vítimas, com idades entre 30 e 42 anos, descreveram um padrão consistente de comportamento durante as consultas. De acordo com os relatos, Kollet pedia que as pacientes ficassem sem roupa e, em seguida, tocava suas partes íntimas sem consentimento, ficando visivelmente excitado durante os atos. Após os abusos, ele pedia segredo às vítimas.
Crimes ocorriam há pelo menos dois anos
As investigações indicam que os crimes vinham ocorrendo há pelo menos dois anos. Uma das vítimas relatou que procurou o consultório de Kollet por ele ser amigo de seu marido. Em duas consultas, o médico tentou abraçá-la para acariciar seu corpo, justificando que "era médium" e iria "passar boas energias".
Outros depoimentos confirmaram que ele pedia consistentemente que as pacientes tirassem a roupa durante as consultas e depois acariciava seus corpos sem autorização. Entre as acusações, há suspeita de que ele tenha praticado um estupro contra uma das vítimas.
Defesa do médico nega todas as acusações
O advogado Ademir Campana, que representa Daniel Pereira Kollet, afirmou que seu cliente "nega integralmente" todas as acusações. Em nota, a defesa declarou que ainda não teve acesso ao inquérito completo e conta apenas com informações preliminares.
"Trata-se de médico há quase 30 anos, com conduta ilibada, cuja atuação profissional sempre foi pautada pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde de seus pacientes", afirmou o escritório de advocacia. A defesa prometeu emitir uma nota oficial assim que tiver acesso integral aos autos do processo.
Contexto da cidade e impacto do caso
Taquara, cidade onde os crimes ocorreram, tem pouco mais de 54 mil habitantes. A prisão do médico gerou comoção na comunidade local, onde ele atuava há décadas. A Polícia Civil continua investigando o caso e busca identificar possíveis outras vítimas que ainda não tenham se manifestado.
O delegado Valeriano Garcia Neto destacou a importância das primeiras vítimas que tiveram coragem de denunciar os abusos, permitindo que a investigação fosse iniciada e resultasse na prisão preventiva do médico.



