MC Poze altera declaração sobre facção e é transferido para presídio neutro no Rio
O funkeiro MC Poze do Rodo, que estava detido há seis dias no Complexo Penitenciário de Gericinó, mais especificamente em Bangu 1, foi transferido na manhã desta quarta-feira (22) para o Presídio Joaquim Ferreira. Esta unidade é um anexo da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, popularmente conhecida como Bangu 8, e é classificada como um espaço neutro dentro do sistema carcerário fluminense.
Mudança na versão sobre vínculos criminosos
De acordo com apurações do g1, MC Poze apresentou uma versão completamente diferente daquela informada durante sua prisão no ano passado. Em 2025, quando foi detido pela Polícia Civil, o artista havia declarado ter ligações com a facção criminosa Comando Vermelho (CV). No entanto, nesta ocasião, ao ser interrogado pela Secretaria de Polícia Penal (Seap), ele afirmou categoricamente não manter mais qualquer tipo de vínculo com organizações criminosas.
Com base nessa nova declaração, as autoridades penitenciárias decidiram inicialmente encaminhá-lo para Bangu 1, uma unidade de segurança máxima que o mantinha distante das alas destinadas a integrantes do Comando Vermelho e de facções rivais. Agora, a transferência para o anexo de Bangu 8 consolida seu status como preso considerado "neutro" no conflito entre facções.
Controvérsia sobre regime disciplinar e investigação em andamento
No dia seguinte à sua chegada ao presídio de segurança máxima, os advogados de MC Poze recorreram à Justiça para informar que o funkeiro estava sendo mantido em regime disciplinar diferenciado (RDD) sem uma decisão judicial formal que autorizasse tal medida. Esta situação levou a Justiça Federal a exigir explicações urgentes da Secretaria de Polícia Penal sobre os motivos da aplicação do RDD.
A Seap respondeu às autoridades judiciais afirmando que a permanência de MC Poze em Bangu 1 era uma medida de segurança necessária, justificada pelas circunstâncias do caso. O artista foi preso temporariamente no dia 16 de abril, por decisão da 5ª Vara Federal de Santos, que investiga suspeitas graves de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Investigação envolve valores bilionários em apostas ilegais
A apuração federal que resultou na prisão de MC Poze está focada na movimentação financeira de valores que atingem a casa dos bilhões de reais, todos ligados a operações de apostas ilegais e rifas digitais. As autoridades suspeitam que o funkeiro esteja envolvido em uma complexa rede de lavagem de capitais, utilizando sua influência e recursos para ocultar a origem ilícita desses valores.
A transferência para o presídio neutro representa uma mudança significativa na situação carcerária do artista, que agora aguarda o desenrolar das investigações em um ambiente considerado mais seguro pelas autoridades, dada sua nova declaração de desvinculação das facções. O caso continua sob rigoroso acompanhamento da Justiça Federal, que busca esclarecer todas as conexões entre o mundo do funk, o crime organizado e as transações financeiras suspeitas.



