Funkeiro MC Poze do Rodo é preso pela PF em megaoperação contra organização criminosa
O cantor de funk MC Poze do Rodo foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira (15) e transferido para o presídio de Bangu 1, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (17). A prisão ocorreu como parte da Operação Narcofluxo, que investiga uma organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro e realização de transações ilegais que ultrapassam a marca de R$ 1,6 bilhão.
Detenção em condomínio de luxo e audiência de custódia
Agentes federais cumpriram mandado de prisão no início da manhã de quarta-feira no condomínio de luxo onde Poze reside, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio. Após a detenção, o artista permaneceu em silêncio na sede da PF e foi levado ao Presídio José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte da cidade.
Na manhã de quinta-feira (16), ocorreu a audiência de custódia de forma virtual, e a Justiça Federal decidiu manter a prisão do funkeiro. Segundo o advogado de defesa, Fernando Henrique Cardoso Neves, o cantor foi surpreendido pela prisão e nega qualquer irregularidade.
Defesa alega desconhecimento e planeja habeas corpus
O advogado Fernando Henrique declarou que a defesa ainda não teve acesso ao teor completo das acusações que motivaram a prisão. "Pelo que entendi, é uma investigação da Polícia Federal de São Paulo junto à Justiça Federal de São Paulo. Os agentes daqui também não sabem do que se trata, já que apenas cumpriram mandados", afirmou.
A defesa informou que pretende acessar os autos do processo para compreender as circunstâncias do caso e prestar esclarecimentos à Justiça. Além disso, o advogado anunciou que deve entrar com um pedido de habeas corpus para que MC Poze responda à investigação em liberdade.
Operação Narcofluxo e outras prisões
A Operação Narcofluxo mobilizou cerca de 200 policiais federais para cumprir 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos (SP). As diligências ocorreram em endereços de vários estados brasileiros, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal.
Segundo a PF, os investigados utilizavam um sistema sofisticado para ocultar e dissimular valores, envolvendo operações financeiras de alto montante, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos. Foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos durante as ações.
Além de MC Poze, outro funkeiro, MC Ryan SP, foi preso em Bertioga, litoral paulista. Os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Histórico de prisões do artista
Esta é a terceira vez que MC Poze do Rodo é detido. Em maio do ano passado, ele foi preso pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil do Rio, acusado de apologia ao crime e envolvimento com tráfico de drogas. Na ocasião, investigações indicavam que o cantor lavava dinheiro do Comando Vermelho (CV) e realizava shows em áreas dominadas pela facção.
A DRE afirmou que as letras de Poze "fazem clara apologia ao tráfico de drogas e ao uso ilegal de armas de fogo" e que seus eventos eram usados estrategicamente pela facção para aumentar lucros com venda de entorpecentes. Ele foi solto em 3 de junho após concessão de habeas corpus.
Anteriormente, em setembro de 2019, o funkeiro foi preso em flagrante após um show em Sorriso, Mato Grosso, onde policiais encontraram menores consumindo bebidas alcoólicas e drogas. O evento foi fechado pelas autoridades, e Poze foi apontado como responsável por incitar crimes.
As investigações da Operação Narcofluxo continuam em andamento, com a PF aprofundando as análises sobre a rede criminosa e seus integrantes.



