Major da Polícia Militar é excluído da corporação após caso de fuga em unidade prisional de Manaus
O governador do Amazonas, Wilson Lima, assinou pessoalmente o decreto que determina a exclusão definitiva do major Galeno Edmilson de Souza Jales da Polícia Militar do estado. A decisão administrativa foi publicada com destaque no Diário Oficial do Estado no dia 11 de março, marcando o desfecho formal de um caso que abalou a segurança pública na capital amazonense.
Prisão do oficial e investigação sobre saídas irregulares
Galeno Edmilson de Souza Jales foi preso preventivamente no final do mês de fevereiro, especificamente no dia 28, durante investigações minuciosas sobre a saída irregular de policiais militares do Núcleo Prisional da corporação, localizado no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte de Manaus. O major integrava o quadro de oficiais combatentes e havia sido reintegrado anteriormente em 2017 por meio de uma decisão judicial provisória, na condição sub judice, assumindo o posto de 2º tenente na época.
De acordo com informações oficiais do governo estadual, a exclusão do major foi fundamentada em decisão unânime das Câmaras Reunidas do Tribunal de Justiça do Amazonas e em parecer técnico da Procuradoria-Geral do Estado, que recomendou expressamente a saída do oficial da corporação por violação grave de protocolos de segurança.
Mais de 20 policiais desaparecem durante vistoria de rotina
O caso ganhou proporções alarmantes quando, durante uma vistoria de rotina na unidade prisional, foram constatadas as ausências inexplicáveis de 23 policiais militares que estavam formalmente custodiados no local. A apuração conduzida pela Rede Amazônica revelou que esses indivíduos deixaram a unidade sem qualquer tipo de autorização legal, levantando sérias questões sobre os controles de segurança implementados.
Na decisão judicial que determinou a prisão preventiva do major, o juiz plantonista criminal Luís Alberto Nascimento Albuquerque destacou que "a conduta do responsável pela unidade causou forte impacto negativo na sociedade, gerou ampla repercussão adversa e provocou genuíno clamor público". A medida cautelar foi considerada essencial para manter a ordem institucional e evitar possíveis interferências nas investigações em andamento.
Medidas disciplinares e responsabilização dos envolvidos
O documento judicial acrescenta ainda: "Ao que tudo indica nos autos, essa situação narrada nos autos já vem há muito acontecendo e deve partir dos superiores hierárquicos, não se esperando que policiais sem poder de comando, como os dois custodiados colocados em liberdade, modifiquem essa realidade, ao contrário do ora Representado".
Imediatamente após a descoberta das irregularidades, o Comando da Polícia Militar determinou a prisão em flagrante e o afastamento sumário de dois policiais responsáveis diretamente pela guarda da unidade naquele momento. Embora tenham sido soltos posteriormente em audiência de custódia, ambos responderão ao processo legal em regime de liberdade, aguardando o julgamento definitivo.
Em nota oficial divulgada à imprensa, a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) informou que o diretor do Núcleo Prisional foi preso pela Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) da própria corporação. A medida representa parte das ações administrativas e disciplinares determinadas pelo Comando Geral da PM para apurar com rigor e responsabilizar todos os envolvidos no caso, demonstrando compromisso com a transparência e a legalidade.
A exclusão do major Galeno Edmilson de Souza Jales marca um capítulo significativo nos esforços para reestruturar os protocolos de segurança nas unidades prisionais militares do Amazonas, enquanto as investigações continuam para elucidar completamente as circunstâncias que permitiram as saídas irregulares dos policiais custodiados.
