Congresso aprova lei que tipifica o crime de vicaricídio no Código Penal
Lei cria crime de vicaricídio com pena de até 40 anos de prisão

Congresso Nacional tipifica o crime de vicaricídio no Código Penal

O Congresso Nacional aprovou, nesta quarta-feira (25), um projeto de lei que altera o Código Penal para incluir e punir um novo tipo de crime: o vicaricídio. A proposta, que já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada, recebeu votação simbólica no Senado Federal, consolidando uma medida histórica no combate à violência contra as mulheres.

O que é o vicaricídio e como será punido

O vicaricídio é definido como atos praticados contra pessoas próximas de uma mulher, com a intenção de atingi-la emocionalmente. Esses atos podem incluir agressões físicas ou psicológicas, e o texto legal cria especificamente a figura do homicídio vicário, quando o criminoso mata filhos, pais ou dependentes diretos de uma mulher para provocar dor, punir ou se vingar dela.

Com a aprovação, o vicaricídio passa a fazer parte da Lei Maria da Penha e entra na lista de crimes hediondos. As penas estabelecidas variam de 20 a 40 anos de prisão, podendo ser aumentadas em casos específicos, como:

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram
  • Quando o crime é praticado na presença da mulher
  • Contra criança, adolescente, pessoa idosa ou com deficiência
  • Em descumprimento de medida protetiva de urgência

Origem do termo e importância da medida

O termo "vicaricídio" é uma palavra nova e pouco conhecida, formada por dois elementos latinos: "vicário", que significa "que faz as vezes de outra coisa ou pessoa" ou "que substitui", e "cídio", que quer dizer "matar". Segundo o professor de Português Pasquale Cipro Neto, essa composição reflete a natureza do crime, onde a vítima é usada como substituta para atingir outra pessoa.

A relatora do projeto no Senado, Margareth Buzetti (PP-MT), destacou a importância de dar ao vicaricídio um tratamento semelhante ao do feminicídio. "Com a criação de categoria jurídica específica, atrelada ao mecanismo penal correspondente, tornam-se mais previsíveis e céleres as providências necessárias para a proteção da mulher e de suas famílias", afirmou a senadora, enfatizando que a medida emite um sinal normativo de máxima reprovação social a essas condutas.

Contexto e casos que motivaram a lei

O projeto foi aprovado em reação a crimes recentes que comoveram o país, como o caso de Itumbiara, Goiás, onde um secretário municipal matou os dois filhos após a mãe das crianças pedir a separação, e em seguida cometeu suicídio. Esses incidentes destacaram a necessidade de uma legislação específica para punir atos que usam familiares como alvo para atingir mulheres.

Com a sanção presidencial pendente, a nova lei vai facilitar o pedido de medidas protetivas para pessoas que possam ser vítimas de violência de quem, na verdade, deseja atingir uma mulher. Essa mudança representa um avanço significativo na proteção jurídica e social contra formas indiretas de violência de gênero.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar