Justiça do Acre mantém prisão preventiva de agricultor acusado de matar irmão a facadas
A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) decidiu manter a prisão preventiva do agricultor Diérico Souza de Macedo, de 39 anos, acusado de assassinar o próprio irmão, Milton Souza de Macedo, a facadas em março de 2025. O crime ocorreu na zona rural de Capixaba, município do interior do estado, e agora aguarda julgamento por júri popular.
Decisão judicial e próximos passos processuais
A decisão foi proferida pela juíza Evelin Campos Cerqueira Bueno, da Vara Única Criminal da Comarca de Capixaba, e publicada na última sexta-feira (6). Em sua análise, a magistrada entendeu que não houve mudanças no processo que justifiquem a soltura do acusado, mantendo a medida como necessária.
A acusação e a defesa têm prazo de cinco dias para apresentar a lista de testemunhas que devem depor em plenário, podendo indicar até cinco pessoas cada. As partes também podem anexar documentos e solicitar diligências para o júri, embora ainda não haja data definida para o julgamento.
Gravidade do crime e elementos probatórios
A juíza destacou a gravidade do crime, já que Diérico é acusado de ter matado o próprio irmão, além de ter fugido após o ocorrido. O processo conta com provas da existência do crime e indícios suficientes de autoria, o que sustenta a prisão preventiva enquanto o caso aguarda julgamento.
Diérico já havia sido enviado a júri popular após ter a tese de legítima defesa rejeitada pelo Tribunal de Justiça em sessão virtual da Câmara Criminal no dia 14 de janeiro deste ano. Ele foi denunciado por homicídio qualificado, com investigações apontando que o crime foi cometido por motivo fútil, relacionado a uma discussão familiar anterior.
Detalhes do crime e contradições nas versões
Segundo as investigações, Milton teria sido atacado de surpresa, enquanto estava sob efeito de álcool e em situação de vulnerabilidade, com recurso que dificultou a defesa da vítima. A polícia colheu depoimentos que apontaram para uma discussão entre os irmãos, que evoluiu para agressões físicas.
Testemunhas relataram que os desentendimentos entre eles eram recorrentes e sempre se intensificavam quando havia consumo de álcool. No dia do crime, Diérico inicialmente afirmou que havia saído da residência para verificar uma malhadeira em um açude da propriedade e, ao retornar, encontrou o irmão ferido.
Essa versão, porém, foi questionada à medida que as investigações avançaram. Apurou-se que Milton teria ido dormir e que, horas depois, Diérico teria retornado ao local e atingido o irmão com dez golpes de faca. O corpo de Milton foi encontrado em rigidez cadavérica.
Confissão e elementos contraditórios
Durante interrogatório, Diérico admitiu ter esfaqueado o irmão, mas alegou legítima defesa, afirmando que Milton estaria armado no momento das agressões. A Polícia Civil, contudo, destacou que não foram encontrados elementos no local que comprovassem essa versão.
Perícias também não identificaram vestígios que indicassem reação da vítima. As autoridades estranharam o fato de Diérico não ter comparecido à delegacia quando intimado, não ter participado do velório do irmão e ter deixado a região após o crime.
Um vizinho que bebia com os irmãos depôs que estava sob efeito de álcool, dormiu no local do crime e informou que não escutou nem presenciou o momento em que Diérico esfaqueou Milton. O caso segue sob análise da Justiça acreana, com a prisão preventiva mantida até o julgamento definitivo.



