Justiça do Rio mantém restrições contra influencer argentina em caso de racismo
O juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, da 37ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, decidiu manter as medidas cautelares impostas à advogada e influencer argentina Agostina Páez, de 29 anos, acusada de cometer crime de racismo em um bar de Ipanema. A decisão foi tomada nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, após a defesa solicitar a retirada da tornozeleira eletrônica e a devolução do passaporte para que a turista pudesse retornar à Argentina.
Pedido de retorno à Argentina é negado pela Justiça brasileira
Na fundamentação de sua decisão, o magistrado afirmou que o retorno de Agostina Páez ao seu país de origem poderia impedir a aplicação da pena caso ela venha a ser condenada pelo crime de injúria racial. O juiz também considerou que os novos fatos apresentados pela defesa – incluindo alegações de que a argentina estaria sendo alvo de ameaças – não justificam a extradição e o fim das medidas cautelares atualmente em vigor.
Agostina Páez chegou a ser presa em 6 de fevereiro, mas foi liberada horas depois, quando passou a usar a tornozeleira eletrônica como condição para aguardar o julgamento em liberdade. O processo judicial teve início na terça-feira, 24 de março, e tanto a defesa quanto o Ministério Público do Rio de Janeiro concordaram que, em caso de condenação, ela será extraditada para cumprir a pena na Argentina.
Entenda os detalhes do caso de racismo em Ipanema
Segundo a denúncia do Ministério Público, o incidente ocorreu em 14 de janeiro, quando a turista argentina se envolveu em uma discussão com o gerente de um bar em Ipanema motivada por um suposto erro no pagamento da conta. Durante a confusão, a vítima das ofensas verificou as imagens das câmeras de segurança e solicitou que Agostina permanecesse no local até que a situação fosse resolvida.
Foi nesse momento que começaram os xingamentos racistas, que foram gravados por um funcionário do estabelecimento. Nas gravações, a advogada é ouvida chamando trabalhadores do bar de "negro" em sentido pejorativo e, mais tarde, ao deixar o local, utiliza a palavra "mono" (que significa macaco em espanhol). Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra o momento em que ela aparece, já na rua, imitando sons e movimentos de um macaco, enquanto outra mulher tenta levá-la embora.
Possíveis consequências jurídicas e financeiras para a acusada
O Ministério Público do Rio de Janeiro defende que, além da possível condenação criminal, Agostina Páez pague cerca de R$ 200 mil em indenização aos funcionários do bar que foram vítimas das ofensas racistas. No Brasil, o crime de injúria racial é equiparado ao crime de racismo, com pena prevista de 2 a 5 anos de prisão, além do pagamento de multa.
O caso tem gerado ampla repercussão tanto no Brasil quanto na Argentina, destacando a gravidade com que o sistema judiciário brasileiro trata crimes de natureza racial. A manutenção das medidas cautelares indica que a Justiça considera existirem riscos concretos de fuga ou de dificuldades na aplicação da lei caso a acusada deixe o território nacional antes da conclusão do processo.



