Justiça do Acre aceita denúncia por morte de professor de dança encontrado em cova rasa
A Justiça do Acre formalizou a acusação contra três indivíduos envolvidos no assassinato do professor de dança Reginaldo Silva Corrêa, conhecido como Reggis, cujo corpo foi descoberto em uma cova rasa no município de Epitaciolândia, interior do estado, em outubro do ano passado. O caso, que gerou forte comoção na comunidade local, avança agora para a fase processual, com os réus enfrentando graves acusações que incluem homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Acusados e suas respectivas responsabilidades
O principal acusado, Victor Oliveira da Silva, de 27 anos, confessou ter cometido o crime durante uma discussão, alegadamente motivada por uma tentativa de retomar um relacionamento amoroso com a vítima. Ele foi denunciado por homicídio qualificado, caracterizado por motivo torpe e uso de recursos que dificultaram a defesa de Reggis, além de ocultação de cadáver, furto qualificado do veículo e furto simples do celular da vítima. Em depoimento chocante, Silva admitiu ter passado a noite com o corpo no próprio quarto após o assassinato.
Marijane Maffi, vizinha de Silva, também foi denunciada, enfrentando acusações de ocultação de cadáver e furto qualificado do carro. Ela negou qualquer participação no homicídio, mas confessou ter sido persuadida por Silva a levar o veículo até Cobija, na Bolívia, onde um terceiro iria buscá-lo. No entanto, ela contesta relatos de que teria fornecido ferramentas para o enterro do corpo.
O terceiro réu, Limbson Santiago Pereira, é acusado de ocultação de cadáver e furto simples do celular. Ele afirmou à polícia que foi chamado por Silva para "enterrar um negócio", ajudando a remover o corpo e testemunhando a entrega de ferramentas por Marijane. Pereira é o único dos acusados que não chegou a ser preso, mas uma testemunha confirmou ter comprado o celular da vítima vendido por ele.
Detalhes do crime e investigação
Reginaldo Silva Corrêa, de 44 anos, desapareceu na noite de 29 de setembro, após informar à ex-esposa, Keloiza Lima Paiva, que iria fazer uma entrega. Preocupada com a falta de contato, ela registrou um boletim de ocorrência no dia 29 do mesmo mês. O corpo foi encontrado em 1º de outubro em um terreno localizado entre as residências dos suspeitos, revelando uma cena de brutalidade que chocou a região.
A investigação progrediu significativamente quando a polícia descobriu um notebook pertencente a Reggis, no qual encontraram conversas entre a vítima e Victor Oliveira da Silva em um aplicativo de mensagens. Esse achado foi crucial para identificar os envolvidos e reconstruir os eventos que levaram ao crime. Além disso, em novembro de 2025, a Justiça autorizou o acesso aos dados da tornozeleira eletrônica de Silva, permitindo que a polícia rastreasse sua geolocalização e compreendesse melhor os passos do crime.
Situação processual e medidas cautelares
Com o recebimento da denúncia, a Justiça mantém a prisão preventiva de Victor Oliveira da Silva, enquanto Marijane Maffi permanece internada em uma clínica de reabilitação em Porto Velho, Rondônia, sob medidas cautelares que incluem o uso de tornozeleira eletrônica. A Defensoria Pública, que representa Silva, optou por não se manifestar sobre o caso, enquanto a defesa de Marijane expressou confiança na Justiça e no devido processo legal, sem comentar a decisão específica. A defesa de Limbson Santiago Pereira não foi localizada para posicionamento.
O próximo passo no processo será a fixação de data para a audiência de instrução, fase determinante que definirá se os réus serão submetidos a júri popular. Enquanto isso, a família de Reggis continua a lidar com o luto diário, clamando por justiça. Regilaine Silva Corrêa, irmã da vítima, destacou em entrevista ao g1 em fevereiro que a espera por respostas é angustiante: "Espero que as pessoas não esqueçam do meu irmão e nos ajudem a pedir e clamar por justiça, pois isso não pode ficar impune. Foi muito cruel o que fizeram com ele que sempre foi muito querido por todas as amizades e em todos os lugares onde morou".
Legado e impacto na comunidade
Reginaldo Silva Corrêa, além de professor de dança no estilo zumba, era acadêmico de Educação Física, agente territorial do Sebrae e coreógrafo, deixando uma filha de seis anos. Sua morte repercutiu profundamente entre parentes, amigos e instituições locais, que divulgaram notas de pesar e solidariedade. O caso, conhecido como "Caso Reggis", permanece como um símbolo da luta por justiça e segurança no interior do Acre, com a comunidade acompanhando atentamente os desdobramentos judiciais na esperança de que a verdade seja totalmente esclarecida e os responsáveis sejam devidamente punidos.



