Julgamento sobre responsabilidade médica na morte de Maradona é retomado na Argentina
Um novo capítulo judicial sobre o falecimento da lenda do futebol Diego Armando Maradona teve início nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, no tribunal de San Isidro, região metropolitana de Buenos Aires. O processo busca determinar a responsabilidade da equipe médica que acompanhava o craque argentino em seus últimos momentos de vida.
Acusados enfrentam penas de até 25 anos de prisão
Sete profissionais de saúde estão sendo julgados por homicídio simples com dolo eventual, acusados de negligência que teria contribuído para a morte do ídolo. Caso condenados, os réus podem receber sentenças que variam entre oito e 25 anos de prisão.
A lista de acusados inclui:
- Agustina Cosachov, psiquiatra
- Carlos Angel Díaz, psicólogo
- Leopoldo Luque, neurocirurgião
- Mariano Ariel Perroni, enfermeiro-chefe
- Pedro Pablo Di Spagna, médico
- Ricardo Almiron, enfermeiro
Contexto da morte e investigações posteriores
Diego Maradona faleceu em novembro de 2020, aos 60 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco. Na época, o ex-jogador se recuperava de uma cirurgia cerebral para remover um coágulo sanguíneo. As suspeitas sobre possível negligência médica só surgiram em 2021, quando o Ministério Público argentino nomeou uma junta médica para investigar o caso.
A investigação concluiu que a equipe médica agiu de forma "inadequada, deficiente e imprudente" no cuidado com Maradona. Segundo o promotor Patrício Ferrari, que atua no caso, os acusados não cumpriram todas as suas responsabilidades junto ao craque.
"Maradona foi abandonado ao seu destino, condenado à morte", afirmou Ferrari durante manifestação no tribunal. O promotor ainda destacou que "os réus não fizeram nada para impedir" que ele morresse, sugerindo que uma transferência para um hospital poderia ter salvado sua vida.
Primeiro julgamento foi anulado por irregularidades
Este não é o primeiro processo judicial sobre o caso. Um julgamento anterior teve início em março de 2025, mas foi declarado nulo dois meses depois devido a violações das regras judiciais argentinas.
A anulação ocorreu após uma das três juízas envolvidas no processo, Julieta Makintach, ser vista concedendo entrevista para uma equipe de filmagem responsável por um documentário não autorizado sobre o julgamento. A atitude foi considerada incompatível com as normas do sistema judiciário argentino.
Defesa alega inevitabilidade da morte
Os advogados de defesa dos réus argumentam que a morte de Maradona era inevitável devido aos problemas de saúde de longa data do ex-jogador. Durante a audiência desta terça-feira, Roberto Rallin, advogado do neurocirurgião Leopoldo Luque, definiu o julgamento como "incomum" e "injusto".
"Todos gostariam que Diego estivesse vivo", afirmou Rallin, acrescentando que é necessário "um julgamento justo, que resista às pressões da mídia".
Manifestações e expectativas
Do lado de fora do tribunal, torcedores se reuniram segurando faixas com mensagens como "Justiça para D10s", demonstrando o impacto emocional que o caso ainda provoca na população argentina. O julgamento deve ouvir 92 testemunhas ao longo de suas sessões, que começaram às 10h da manhã desta terça-feira.
Diego Maradona, campeão da Copa do Mundo de 1986 e considerado um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, deixou um legado esportivo incomparável. Seu falecimento prematuro continua gerando debates sobre responsabilidade médica e cuidados com a saúde de personalidades públicas.



