Juiz determina júri popular para acusado de feminicídio em Uberlândia
O juiz da 2ª Vara Criminal de Uberlândia determinou que Romário dos Santos Cruz, acusado de matar a ex-namorada Vanessa Jussara da Silva, seja levado a júri popular. A decisão foi tomada após audiência de instrução e julgamento realizada nesta segunda-feira (23), quando testemunhas foram ouvidas no Fórum Rondon Pacheco.
Crime qualificado e ocultação de cadáver
Segundo a denúncia, o réu responde por feminicídio qualificado, por motivo fútil e com recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver. A data do júri popular ainda não foi definida. Se condenado, Romário pode pegar até 24 anos de prisão.
A defesa, representada pela Defensoria Pública, foi procurada, mas não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem. O caso remonta a outubro de 2025, quando Vanessa, motorista de aplicativo de 34 anos, foi morta por asfixia na casa do suspeito.
Detalhes do crime
De acordo com as investigações, a vítima foi asfixiada com as mãos e uma corda de varal durante uma discussão com Romário no dia 5 de outubro. Em seguida, o corpo foi colocado no porta-malas do carro dela e levado para uma área afastada, onde foi encontrado após o veículo ser abandonado na estrada.
O inquérito concluído pela Polícia Civil apontou que o homem confessou o crime. A família de Vanessa registrou boletim de ocorrência sobre o desaparecimento no dia 7 de outubro, após não ter notícias da motorista por três dias.
Relacionamento conturbado
Os familiares relataram à polícia que Vanessa e Romário tinham uma relação conturbada, com histórico de agressões. A irmã da vítima, Lígia Kátia Silva, contou que o casal estava junto há cerca de cinco meses e já havia registrado ocorrência na Delegacia da Mulher em agosto de 2025 por briga em estado de embriaguez.
"Não só eu como a família toda também falava para ela não ficar com ele, se afastar dele, porque eles brigavam muito", disse Lígia em entrevista.
Investigação e prisão
Conforme a investigação conduzida pelo delegado Carlos Fernandes, após o crime, Romário tentou criar um álibi enviando mensagem para o celular da vítima para despistar a polícia. O suspeito havia abandonado a casa onde morava e estava escondido na zona rural quando foi preso.
Vanessa foi vista pela última vez por um sobrinho em um bar na Avenida Solidariedade, no Bairro Residencial Integração, no dia 4 de outubro. Moradora do Bairro Novo Mundo, ela deixou duas filhas de 10 e 19 anos.
O caso segue agora para júri popular, onde a sociedade uberlandense terá a palavra final sobre a responsabilidade do acusado por um dos crimes mais graves previstos na legislação brasileira.



