Banqueiro é transferido para instalações da PF em Brasília em meio a negociações de delação premiada
Nesta segunda-feira (23), a Polícia Federal realizou a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para as mesmas instalações que anteriormente receberam o ex-presidente Jair Bolsonaro na Superintendência da PF em Brasília. Vorcaro encontra-se sob custódia na Superintendência desde a última quinta-feira (19), quando foi deslocado da Penitenciária Federal de Brasília.
As duas transferências foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master na corte, atendendo a solicitações da defesa do banqueiro. A movimentação ocorre em um contexto de intensas negociações para um possível acordo de delação premiada.
Investigações e acusações contra o banqueiro
Daniel Vorcaro é alvo de investigações por supostos crimes financeiros, envolvimento em pagamentos indevidos a agentes públicos e na organização de uma espécie de milícia privada destinada a monitorar autoridades e perseguir jornalistas. O caso Master tramita sob sigilo no STF, com decisões que não têm sido divulgadas publicamente.
As instalações onde Vorcaro está detido consistem em uma sala equipada com mesa, cadeira, cama de solteiro e banheiro privativo. O espaço conta com ar-condicionado, janela, armário e frigobar. Até o momento, a Polícia Federal não informou se pretende manter equipamentos como televisão no local.
Sequência de transferências e negociações
Na semana passada, os advogados de Vorcaro solicitaram a prisão domiciliar para o banqueiro, conforme apurado pela TV Globo, como parte das tratativas iniciais para um acordo de delação premiada. O ministro André Mendonça negou o pedido de prisão domiciliar, mas autorizou a transferência para a Superintendência da PF, onde as regras de detenção são menos rigorosas.
Inicialmente, cogitou-se que Vorcaro ocuparia a mesma "sala de Estado" utilizada por Bolsonaro, espaço reservado por lei para autoridades como presidentes da República e outras altas figuras públicas. No entanto, a avaliação da PF naquele momento indicava que o banqueiro não poderia receber o mesmo tratamento concedido a um ex-presidente.
Assim, Vorcaro foi inicialmente alocado em uma sala menor e com menos recursos. A defesa recorreu dessa decisão, e nesta segunda-feira, Mendonça determinou a transferência do banqueiro para um espaço maior dentro da Superintendência.
Rumores de delação premiada e encontros estratégicos
Conforme apurou a TV Globo, o advogado de Vorcaro, José Luís Oliveira Lima, procurou a Polícia Federal para comunicar o interesse do banqueiro em firmar um acordo de delação premiada. Questionado pela emissora, o advogado afirmou que não comentaria o caso devido à "sensibilidade" da situação.
Daniel Vorcaro foi preso no início de março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. No dia 6 de março, ele foi transferido do Complexo Penitenciário de Potim, no interior de São Paulo, para a Penitenciária Federal em Brasília.
No dia 17 de março, a nova defesa de Vorcaro reuniu-se com o ministro André Mendonça para discutir os desdobramentos do caso. De acordo com relatos, os advogados indicaram ao ministro que uma das possibilidades avaliadas por Vorcaro é justamente a de uma delação premiada.
Uma eventual colaboração do banqueiro poderia trazer novos elementos para as investigações sobre as suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Em investigações anteriores, como as da Operação Lava Jato, a transferência de presos que negociavam delações premiadas foi utilizada como um "sinal de boa vontade" por parte das autoridades.



