Irmã ofereceu R$ 50 mil para execução de mestre de capoeira em Niterói
As investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelaram detalhes chocantes sobre o assassinato do mestre de capoeira Paulinho Sabiá, ocorrido em fevereiro em Niterói. Segundo as apurações, a própria irmã da vítima, Adriana Souza Possobom Aragão de Miranda, ofereceu R$ 50 mil para que o irmão fosse executado, mas efetuou apenas um pagamento inicial de R$ 10 mil.
Adriana foi presa nesta quarta-feira (8) e está sendo investigada como mandante do crime. A polícia também prendeu Juan dos Santos, conhecido como Juan do Alemão, que confessou ter pilotado a moto utilizada no homicídio e apontou Adriana como a responsável pela encomenda da morte.
Reunião no Complexo do Alemão para combinar execução
De acordo com o delegado Willians Batista, da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, Adriana já mantinha uma relação anterior com um dos assassinos. Essa pessoa a levou para uma reunião presencial no Complexo do Alemão, onde ela se encontrou com Juan e outros comparsas.
"Ela foi pessoalmente até o Alemão levada por essa pessoa, onde inclusive fez uma reunião com o Juan, por exemplo, e ofereceu a eles R$ 50 mil", afirmou o delegado. "A gente acredita que [a recompensa] seria paga inclusive com o dinheiro [em espécie] que ela esperava encontrar na casa do irmão", completou.
As investigações indicam que apenas R$ 10 mil foram entregues como adiantamento. Adriana ainda teria dado orientações específicas para que o crime parecesse um latrocínio, pedindo que os assassinos subtraíssem algum bem da vítima para criar essa aparência.
Motivação financeira e tentativa anterior
A polícia não tem dúvidas de que a motivação do crime foi financeira. Dois dias antes da execução, Paulinho já havia sofrido uma tentativa de homicídio em Icaraí, quando um homem apontou uma arma para sua nuca, mas a arma falhou.
"Ela mostrou muita revolta quando eles não conseguiram atingi-lo dessa vez", revelou o delegado Willians Batista sobre a reação de Adriana após a falha na primeira tentativa.
Adriana já havia sido investigada anteriormente por um furto de valores que Paulinho costumava guardar tanto em casa quanto no estabelecimento que possuía. A relação entre os irmãos era marcada por conflitos financeiros recorrentes.
Discussão sobre patrimônio após o enterro
Um depoimento dado à polícia pela namorada de Paulinho, Silmara Fátima Alencastro Silva, revelou que apenas três dias após o enterro do mestre de capoeira, Adriana foi à casa onde ele morava exigindo que Silmara deixasse o local.
Segundo as investigações, Adriana questionava repetidamente sobre os bens de Paulinho, que incluíam:
- A casa onde funcionava a escola de capoeira
- Dois terrenos em Maricá
- Um carro e motos antigas
- Aplicações financeiras que somavam R$ 100 mil
- Valores não especificados de dinheiro vivo guardados em casa
"Adriana fez tudo o que podia, inclusive com emprego de advogado, para conseguir acessar o apartamento de Paulinho o quanto antes, obter as chaves o quanto antes, para o que a gente entende ser a busca por esses valores que ele guardava em casa", explicou o delegado.
Detalhes do crime e investigação em andamento
O crime ocorreu quando Paulinho estava no banco do carona de um carro dirigido por Silmara. No cruzamento da Rua Sete de Setembro com a Rua Lemos Cunha, dois homens em uma moto se aproximaram e efetuaram disparos à queima-roupa. O capoeirista foi atingido por três tiros e os criminosos fugiram imediatamente.
A Delegacia de Homicídios assumiu a investigação logo após o ocorrido, realizando perícia no local, analisando imagens de câmeras de segurança e ouvindo testemunhas. A polícia continua trabalhando para identificar outros participantes do crime.
Na delegacia, Adriana recusou-se a prestar depoimento, afirmando que só falaria depois que seu advogado tivesse acesso ao processo. Curiosamente, no dia seguinte à morte do irmão, ela havia declarado à imprensa: "Meu irmão era uma pessoa muito especial, muito querido por todos. Ele não tinha, que a gente soubesse, nenhum desafeto".



