Influenciador da PRF é denunciado ao MPF por conteúdo misógino e exploração econômica
Influenciador da PRF denunciado por conteúdo misógino e exploração

Influenciador da Polícia Rodoviária Federal enfrenta denúncias por conduta nas redes sociais

Breno Faria, servidor ativo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e influenciador digital com uma base de mais de 2 milhões de seguidores, foi formalmente denunciado ao Ministério Público Federal (MPF) e à Corregedoria da PRF na última quarta-feira, dia 8 de abril de 2026. As acusações, apresentadas por duas advogadas e pela deputada federal Ediane Maria do PSOL, apontam para supostas violações das normas da corporação policial e a disseminação de conteúdo considerado discriminatório e misógino em suas plataformas online.

Acusações detalhadas contra o criador do quadro 'Café com Teu Pai'

As denúncias destacam duas principais irregularidades atribuídas a Breno Faria. Em primeiro lugar, ele é acusado de explorar economicamente sua fama nas redes sociais, promovendo produtos e publicidade de forma que, segundo as denunciantes, viola os regulamentos da PRF que regem a conduta de servidores públicos. Em segundo lugar, e talvez mais grave, estão as alegações de que seu conteúdo classifica comportamentos e vestuários femininos como "errados" ou "sem valor", caracterizando uma postura misógina e discriminatória que contraria os princípios de igualdade e respeito.

O influenciador, conhecido pelo quadro "Café com Teu Pai" no Instagram, nega veementemente fazer parte da chamada bolha Redpill, um movimento online frequentemente associado a visões antifeministas e tradicionais sobre gênero. Em suas defesas públicas, Breno alega que seu objetivo é "ajudar mulheres" com o conteúdo que produz, embora suas declarações públicas tenham gerado controvérsia significativa.

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Declarações polêmicas em entrevista à revista VEJA

Em setembro do ano anterior, Breno Faria concedeu uma entrevista à revista VEJA, na qual abordou temas relacionados a coaches de relacionamento na internet. Durante a conversa, ele afirmou: "Não me considero machista. Eu falo de masculinidade e confundem isso. Nunca disse que a mulher não pode trabalhar, que tem que viver pro lar. Apenas acredito que a realização feminina está em cuidar e embelezar o lugar. Tenho convicção que o dom da maternidade traz mais da realização do que uma carreira".

Essas declarações, embora apresentadas pelo influenciador como uma perspectiva pessoal sobre a realização feminina, foram interpretadas por críticos como reforço de estereótipos de gênero e uma visão limitadora do papel das mulheres na sociedade. A deputada Ediane Maria e as advogadas denunciantes argumentam que tais posicionamentos, quando divulgados por um servidor público com grande alcance nas redes sociais, podem contribuir para a normalização de discursos prejudiciais e a violação de direitos fundamentais.

Implicações legais e institucionais para o servidor da PRF

A denúncia ao MPF e à Corregedoria da PRF coloca Breno Faria sob escrutínio tanto no âmbito penal quanto no disciplinar. Caso as acusações sejam comprovadas, ele poderá enfrentar sanções que vão desde advertências e suspensões até a possibilidade de processos criminais por discriminação. A PRF, como instituição pública, tem a responsabilidade de garantir que seus servidores ajam em conformidade com a lei e os valores democráticos, o que inclui o combate a qualquer forma de preconceito.

Este caso também levanta questões mais amplas sobre a regulamentação da conduta de servidores públicos nas redes sociais, especialmente quando estes acumulam grande influência digital. A linha tênue entre liberdade de expressão e a obrigação de manter uma postura ética e legal tem sido tema de debate crescente em um contexto onde a visibilidade online pode amplificar impactos sociais negativos.

Enquanto aguarda a análise das denúncias pelas autoridades competentes, Breno Faria continua ativo em suas redes sociais, onde mantém seu discurso de "ajuda" às mulheres, mesmo diante das crescentes críticas e do processo legal em curso. O desfecho deste caso poderá estabelecer precedentes importantes para a atuação de influenciadores que também são servidores públicos no Brasil.

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