Um homem de 56 anos morreu após ser picado por uma cobra cascavel em Piracanjuba, no sul de Goiás, e a irmã da vítima denuncia que o hospital não aplicou o soro antiofídico. Dois médicos foram afastados preventivamente pela Secretaria Municipal de Saúde, que afirma que a responsabilidade pela conduta clínica é exclusiva dos profissionais.
O caso
José Carlos Bernardes de Campos, trabalhador rural, foi picado por uma cascavel na quinta-feira (21) e deu entrada no Hospital Municipal Tuany Garcia. Segundo a irmã, Neide Fátima de Campos, a família pediu a aplicação do soro, mas os médicos disseram que não era necessário. O paciente foi liberado, mas passou mal em casa e retornou ao hospital, onde novamente o soro foi negado. Ele morreu no sábado (23), e a certidão de óbito aponta envenenamento como causa da morte.
Posição da Secretaria de Saúde
A Secretaria Municipal de Saúde de Piracanjuba divulgou nota oficial lamentando a morte e prestando solidariedade à família. A pasta informou que suspendeu imediatamente os dois médicos envolvidos e instaurou procedimento administrativo para apurar os fatos. A secretária Selma Justus afirmou que o município garante a disponibilidade de soro antiofídico e outros insumos, e que a decisão de não aplicar o soro foi uma conduta médica, de responsabilidade exclusiva dos profissionais.
Fundamentos legais
A nota cita o Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018), a Lei do Ato Médico (Lei nº 12.842/2013) e o Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos do Ministério da Saúde, que estabelecem a autonomia e responsabilidade pessoal do médico assistente. A gestão pública, segundo a secretaria, é responsável por prover estrutura e insumos, não pela conduta clínica.
Denúncia da família
Em entrevista à TV Anhanguera, Neide Fátima de Campos afirmou que o irmão teve o soro negado em duas ocasiões. "Eles falaram que não havia necessidade, não precisava. Ele passou mal, falando que estava com a garganta infeccionando, apertando, fechando. Meu irmão correu de novo para o hospital e eles não quiseram de novo colocar esse soro", relatou. A família considera o caso como negligência médica.
Resposta do hospital
O Hospital Municipal Thuany Garcia Ribeiro também se manifestou, prestando pesar e informando que o paciente foi atendido conforme os protocolos, com contato ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox). A unidade afirmou que José Carlos permaneceu em observação e, após retorno, recebeu novo atendimento com os procedimentos cabíveis. O hospital disse que medidas administrativas estão sendo adotadas e que, por sigilo médico, detalhes do prontuário não podem ser divulgados.
Investigação
A Secretaria de Saúde comunicou o caso ao Conselho Regional de Medicina de Goiás (CREMEGO), ao Ministério Público e à Vigilância Sanitária Estadual. A família aguarda respostas sobre a conduta dos médicos.



