O médico ginecologista Marcelo Arantes e Silva, de 50 anos, passou a noite na cadeia após ser preso suspeito de crimes sexuais contra pacientes em Goiânia e Senador Canedo. A prisão chocou a população goiana não apenas pelo número de vítimas, mas pelas circunstâncias dos supostos crimes, ocorridos dentro dos consultórios. Até o momento, 23 pacientes denunciaram o ginecologista à polícia, incluindo mulheres que estavam em seu primeiro atendimento e uma grávida.
A defesa do ginecologista afirmou que entende a prisão como desnecessária e que tem plena confiança em sua inocência. Veja abaixo os principais pontos do caso.
Período dos abusos
Segundo a Polícia Civil, há relatos de abusos entre 2017 e 2026. O médico é formado desde 2002, conforme o Conselho Federal de Medicina (CFM). A delegada Amanda Menuci, responsável pela investigação, acredita que o número de vítimas pode ser muito maior e autorizou a divulgação do nome e imagem do suspeito para localizar outras possíveis vítimas.
Modo de agir do suspeito
De acordo com a delegada, as primeiras consultas eram marcadas por toques físicos indesejados e perguntas inapropriadas sobre a vida íntima das pacientes. Ela classificou Marcelo como um "predador sexual", que se aproveitava do ambiente clínico e da fragilidade das vítimas para cometer os crimes. Uma das vítimas relatou a prática de sexo oral, e outra, que estava em gravidez de risco, chegou a gravar as consultas após desconfiar da conduta do médico.
Número de vítimas
Até o momento, foram identificadas 23 vítimas: 10 em Goiânia e 13 em Senador Canedo. A polícia acredita que pode haver outras vítimas que ainda não denunciaram.
Atuação profissional
Marcelo formou-se em 2002 pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Segundo registros no CFM e no Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), ele atuava em ginecologia, obstetrícia e reprodução assistida. Trabalhava em duas clínicas particulares em Goiânia (Setor Campinas) e Senador Canedo (Jardim de Todos os Santos). Atualmente, seu registro profissional está suspenso por decisão judicial.
Início das investigações
A Polícia Civil de Senador Canedo pediu a prisão do médico em 9 de março, mas o pedido foi negado pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Justiça de Goiás. Dez dias depois, três vítimas procuraram a Delegacia da Mulher de Goiânia com relatos semelhantes.
Prisão
Com as novas denúncias, a polícia prendeu Marcelo preventivamente na quinta-feira (23), em sua casa em Goiânia. A delegada afirmou que os novos relatos demonstraram que os casos de 2017 e 2020 não eram isolados. "Até para a polícia proceder ao indiciamento, era mais difícil. Porque são crimes que não têm testemunhas, praticados à escura, em que fica a palavra do autor contra a da vítima", explicou. O ginecologista está preso na unidade prisional de Senador Canedo.
Tipificação do crime
A delegada Amanda Menuci informou que o crime foi tipificado como estupro de vulnerável, pois as vítimas estavam em situação de vulnerabilidade durante as consultas. Além da esfera criminal, Marcelo também é investigado pelo Cremego, que apura as denúncias sob sigilo, conforme o Código de Processo Ético-Profissional Médico.
A defesa do médico, composta pelos advogados Rodrigo Lustosa, Nara Fernandes e Frederico Machado, divulgou nota afirmando: "A defesa do Dr. Marcelo Arantes Silva entende como desnecessário o deferimento do pedido de prisão. Primeiramente, porque tem plena confiança em sua inocência. Em segundo lugar, porque ele já se afastou do exercício da profissão e tem contribuído integralmente com a Justiça em todo o curso da investigação. Ele é um médico bem conceituado em sua área de atuação, probo e ético. Prevalece a convicção de que ele será mais uma vez absolvido, como já ocorreu em um dos processos".



